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Custo de recuperação e reforma de pastagens degradadas

Raramente encontramos uma propriedade que não tenha uma área de pastagem em processo de degradação ou já degradada. O que fazer com essa área? Recuperar ou reformar?

Nesses casos, no Brasil Central, o que mais se observa é a reforma da pastagem degradada, havendo poucos casos em que a decisão é de se fazer a recuperação química do solo.

Entende-se por reforma da pastagem o processo de preparo de solo, implantação de um programa de controle de erosão, correção do solo, adubação e semeadura do capim a ser implantado. Enquanto que recuperação seria a reforma da pastagem através da adubação e correção do solo, não se fazendo o processo de preparo mecanizado da área.

Como optar pela recuperação ou pela reforma da pastagem? Um ponto que deve ser levado em consideração é o grau de infestação de daninhas e o tipo de planta daninha da área. Algumas plantas daninhas são de fácil controle (baixo custo e controle eficiente), como, por exemplo, as guanxumas. Nesse caso, a recuperação química é interessante, e deve ser feita sempre após o controle químico das daninhas.

Por outro lado, quando existem plantas daninhas de difícil controle, como algumas arbustivas, e essas se apresentam com grau de infestação alto, deve-se optar pela reforma da pastagem. Áreas infestadas por gramas (grama batatais e outras) são pastagens de difícil recuperação e, nesse caso, deve-se optar também pela reforma.

No entanto, o que vemos é a reforma de áreas com pouca infestação de daninhas e com bons “stands”. O que leva a fazer uma reforma e não apenas a recuperação química de uma área como essa?

Áreas degradadas com baixa fertilidade de solo, quando vedadas, apresentam visualmente pequeno crescimento e, conseqüentemente, pouco acúmulo de forragem. Desse modo, se tem a interpretação que essas áreas devem ser reformadas, pois não respondem à vedação. Obviamente, o ritmo de crescimento da forrageira não é alterado apenas pela vedação, devendo-se também fazer a reposição da fertilidade do solo.

As plantas, em relação a produção de forragem, respondem mais ao nitrogênio que aos outros nutrientes (fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre). No entanto, as maiores respostas às adubações nitrogenadas se dão quando os outros nutrientes no solo estão em níveis adequados.

A calagem em recuperação de pastagem é tecnologia conhecida. Ela deve ser feita, embora suas respostas sejam relativamente pequenas e de tempo demorado. As adubações superficiais com fósforo também trazem respostas significativas no aumento de produção de forragem. Entretanto, sendo o fósforo um elemento de baixa mobilidade no solo, necessita de radicelas superficiais para ser absorvido. Solos degradados se apresentam compactados, com poucas raízes. Assim, a fosfatagem apresenta também pequena resposta em curto prazo. Os outros macronutrientes, enxofre e potássio, devem ser lembrados em um programa de recuperação de pastagens. Entretanto, podem ser deixados para um segundo momento.

A recuperação química deve ser feita paulatinamente devido aos particulares da ação dos nutrientes no solo de pastagens degradadas. Apesar do nitrogênio necessitar de uma solo com boa fertilidade para proporcionar boas respostas, as respostas em solos não recuperados são economicamente viáveis. Isso significa que, ao invés da resposta ser de 50 Kg MS/Kg de N aplicado em solo de boa fertilidade, será de 30 Kg MS/Kg de N aplicado na pastagem ainda não trabalhada.
Qual o benefício que o nitrogênio promove à pastagem? O maior benefício é o aumento de produção. No entanto, o aumento de produção acarreta aumento de produção de raízes, aumento de matéria orgânica no solo e, com isso, aumento de radicelas aptas a absorverem o fósforo.

Um bom programa de recuperação da fertilidade do solo seria se fazer a adubação nitrogenada em fevereiro. Essa área deve ser vedada por pelo menos 100 dias. Nesse caso, deverá ser utilizada em um programa de diferimento. No mesmo ano, após ser usada pelos animais no período de agosto a outubro, faz-se a calagem e a adubação fosfatada. Dsse modo, a recuperação está realizada e com custo bem inferior à reforma da pastagem (gráfico).

Deve ser lembrado também que a reforma da pastagem significa o seu não uso por pelo menos 8 meses. No caso da recuperação química, a área não deixa de ser usada por tempo algum.

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