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Como aumentar a matéria orgânica em pastagens

A dinâmica da matéria orgânica pode ser descrita como um processo onde ocorrem adições e perdas simultâneas no solo, ou seja, pode ser definida como o fluxo de carbono (C) orgânico através de um dado volume de solo ( JENKINSON e RAYNER, 1977).

SANCHEZ (1981) considera o teor de C orgânico de um solo em equilíbrio com a vegetação uma função das adições e decomposições, ou seja, C=B.M/K, onde C é o teor de carbono orgânico em equilíbrio, B é a quantidade de matéria fresca adicionada, M é a taxa de conversão de matéria fresca em carbono orgânico e K é a taxa anual de decomposição de carbono orgânico.

A taxa de conversão de MO fresca em húmus (fator M) gira em torno de 30 a 50% por ano e é relativamente constante nos diferentes ambientes, ou seja, a possibilidade de se alterar os valores de C orgânico de um solo através deste fator são muito remotas.

A taxa de decomposição do húmus depende de uma série de fatores ligados à atividade dos microrganismos, qualidade do material adicionado e características do solo que podem até certo ponto ser manipuladas. Condições de aeração, umidade e temperatura do solo ótimas para o desenvolvimento de microrganismos favorecem o processo de decomposição de húmus.

Alterações nestas condições podem ser obtidas através de práticas como o uso de cobertura morta (SANCHEZ,1981), que reduzem a temperatura do solo e suas oscilações, reduzindo o fator K, que representa a taxa anual de decomposição do carbono orgânico. Desta forma, pode-se inferir que em pastagens com uma quantidade razoável de perdas, onde a deposição de hastes e folhas na superfície do solo cria uma camada de cobertura morta se desenvolve um microclima favorável à redução do fator K, o que contribui para elevar o teor de matéria orgânica do solo.

Dos fatores citados por SANCHEZ (1981) como determinantes do nível de C orgânico no solo, provavelmente a quantidade de MO fresca adicionada é o mais fácil de ser manipulado.

O aumento na produtividade não se reflete apenas no aumento da deposição de material senescente (hastes e folhas) sobre o solo. Plantas bem cultivadas também apresentam um sistema radicular bastante desenvolvido, o que pode representar uma importante fonte de MO para o solo (BRADY,1989). Em uma pastagem de braquiária, utilizada sob pastejo contínuo com 1 UA/ha.ano, 1,1%, 7,7% e 91,2% da reserva de MO se encontrava na parte aérea, raízes e solo, respectivamente, mostrando uma maior contribuição das raízes que da parte aérea para o fornecimento de material fresco (TEIXEIRA e BASTOS,1989).

Pode-se concluir, portanto, que o manejo adequado do pasto e a correção da fertilidade do solo são passos fundamentais para que se consiga recuperar, através de aumentos na produtividade de matéria seca, os níveis de MO.

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