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Avaliação de suplementação concentrada nas águas

O uso de suplementos concentrados no período das águas é uma tecnologia de uso comercial recente, no entanto, cientificamente comprovada. O objetivo dessa técnica para animais machos em crescimento está relacionado ao aumento do ganho de peso. No caso de novilhas, essa técnica permite a redução na idade de cobertura. A suplementação concentrada também pode ser usada para fêmeas recém-paridas, principalmente vacas primíparas. Nesse caso, a suplementação tem o objetivo de reduzir o tempo que a fêmea permanece em anestro e, com isso, emprenhar as vacas em menor tempo após o parto.

Existem no mercado dois tipos de suplemento concentrado para o período das águas. Alguns adotam a linha da suplementação energética e outros a da suplementação protéica. As forragens tropicais (Colonião, Braquiárias, Tanzânia etc.) apresentam nos meses de verão bons valores de proteína. No entanto, seus teores de energia ainda são baixos para se ter ganhos de peso superiores a 600 g/animal/dia. Desse modo, é possível justificar a necessidade de suplementação energética e não protéica em sistemas tropicais de produção de bovinos.

Entretanto, pesquisas mostram que, apesar do teor de proteína nas plantas tropicais durante o verão serem altos, às vezes maiores que 12% (valor esse suficiente para ganhos acima de 600 g/cabeça/dia), essa proteína não é de boa qualidade, ou está na forma de nitrogênio não protéico ou aderido à fibra. Esses tipos de proteína, ou tem alta taxa de degradação (N não protéico) ou lenta degradação (N-FDN). Isso faz com que o animal não aproveite adequadamente a proteína.

Quanto à falta de energia em plantas tropicais, isso é verdadeiro. Assim, existem duas formas de promover aumento do consumo de energia. A primeira é fornecendo dietas com maior densidade energética. A outra, é promovendo aumento de consumo de um alimento de baixa densidade energética. A suplementação energética em animais sob pastejo causa um efeito de substituição da forragem pelo concentrado. Isso faz com que o animal passe a consumir menores quantidades de forragem, enquanto que a suplementação protéica promove um efeito de adição de consumo. Isso significa que animais recebendo mais proteína passam a consumir mais forragem.

Por esses motivos é que a suplementação protéica é vantajosa em relação a suplementação energética. A tabela 1 traz o resultado de um experimento comparativo de suplementação energética ou protéica no final do período de verão.

Tabela 1- Desempenho de novilhos suplementados com alimento protéico, energético e sem suplementação em pastagens de braquiarão (Brachiaria brizantha)


* Protéico = 1,5 Kg de farelo de algodão
** Energético = 1,5 Kg de farelo de algodão + 1 Kg de milho
Adaptado de Peruchena (1999).

A adoção de concentrados protéicos no verão, quando utilizados de forma adequada, apresentam bons retornos econômicos. O benefício econômico será maior quanto maior for o valor de venda da arroba (Tabela 2) e melhor o potencial genético dos animais.

O fornecimento de 30 a 40 g de proteína para cada 100 kg de peso animal (proteinados de baixo consumo), associada ao uso de ionóforos, pode promover ganhos de peso de até 20% superiores, quando comparados com os sistemas tradicionais (sal mineral). Já o fornecimento em torno de 80 a 100 g de proteína para cada 100 kg de peso animal (proteinado de alto consumo) chega a promover ganhos de até 40% maiores. Assim, para ganhos médios de 500 g/cabeça/dia no verão, os ganhos adicionais para proteinados de baixo e alto consumo são de até 100 g e para proteinados de alto consumo de até 200 g/cabeça/dia.

Tabela 2- Necessidade de ganho de peso para se atingir o ponto de equilíbrio com o uso de proteinado de baixo consumo e de alto consumo em três valores de venda de arroba (R$40,00, R$45,00 e R$50,00)


*considerando o uso de produtos comerciais prontos, adicionados de ionóforos.

A busca por maiores retornos econômicos sobre o patrimônio e o alto valor das terras em algumas regiões do Brasil, fez com que surgissem sistemas intensivos de manejo de pastagem. Esses sistemas se baseiam no aumento de lotação animal proporcionado pela adoção do uso de adubações. A suplementação protéica em pastagens intensivas promove aumento considerável de retorno por área, pois, como o ganho por animal é o mesmo que nas áreas não adubadas, o ganho por área será muito maior devido ao maior número de animais (Tabela 3).

A tabela 3- Retorno econômico para o uso de proteinados de baixo e alto consumo


* diferencial de custo entre o uso do proteinado e do sal mineral
** ganho de peso acima do sistema tradicional (sal mineral)
*** sistema não adubado
**** sistema adubado.

Comentário BeefPoint: A ideal formulação de um suplemento proteinado para as águas é dependente de uma boa fonte de proteína. No entanto, a resposta animal está relacionada a muitos fatores. Portanto, em suplementações para animais sob pastejo no período de verão não existe uma garantia de retorno econômica. Isso significa que existirão situações em que a suplementação não será interessante. Sabe-se também que as melhores respostas a suplementações no período das águas são obtidas no final da estação, ou seja, no outono, quando a qualidade da forragem está em declínio.

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