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Desempenho e ingestão de bovinos de corte alimentados com soja grão ou óleo de soja

A utilização de resíduos na alimentação de bovinos de corte é uma boa estratégia para redução dos custos de produção sem o comprometimento da produção. A grande produção de soja na região norte do país, possibilitou ajuste do custo desse grão para a utilização na nutrição de bovinos de corte confinados. Além disso, a queda no valor de venda da soja grão no mercado, ocorreu um aumento no fornecimento desse grão para bovinos confinados.

Porém, em algumas situações foram observadas diminuição na eficiência de produção, com queda no desempenho, devido à queda na digestibilidade de fibras no rúmen. Para avaliar os efeitos da inclusão de soja grão, ou o óleo de soja diretamente na dieta de bovinos, Jordan et al. (2006) utilizaram 36 bovinos de corte confinados com inclusão de 6 % da matéria seca (MS) na forma de soja grão ou óleo de soja refinado, para avaliação dos parâmetros de produção. As formulações e suas composições bromatológicas estão descritas na tabela 1.

Tabela 1. Formulação e composição bromatológica das diferentes dietas


Avaliações de desempenho, rendimento de carcaça e acabamento foram realizadas para avaliação dos efeitos da utilização de soja grão ou óleo de soja na dieta de bovinos confinados. As concentrações de energia bruta variaram muito pouco entre os dois tratamentos, sendo de 19.4 e 20.2 mcal/kg de MS para óleo de soja e soja grão, respectivamente. Houve maior valor na relação forragem:concentrado para o tratamento óleo de soja, devido às fibras contidas no grão inteiro, porém em valores biologicamente insignificantes.

O consumo de MS variou entre os diferentes tratamentos, sendo inferior para o tratamento soja grão em relação aos tratamentos controle e óleo de soja (Tabela 2). A queda na ingestão de MS devido à inclusão de “óleos” em dietas de bovinos confinados é um fato bastante comum, já citado por diversos autores. (Sutter, 2000).

Essa diminuição no consumo de matéria seca deve-se à queda na digestão de fibras devido ao efeito tóxico dos ácidos graxos insaturados sobre os microorganismos ruminais. Pelo fato das dietas avaliadas nesses trabalhos apresentarem pequena quantidade de fibras, o efeito deletério da inclusão de óleo de soja sobre a digestão de fibras foi minimizado. Portanto, a queda na ingestão de matéria seca observada para o tratamento soja grão provavelmente deva-se a palatabilidade e não à queda de digestão de fibras.

Tabela 2. Efeitos da inclusão de soja grão ou óleo de soja sobre a ingestão de matéria seca


Apesar das diferenças observadas para o consumo total de MS, não foram observadas diferenças significativas no desempenho dos animais, apesar do tratamento óleo de soja apresentar maiores valores, provavelmente devido a maior ingestão de matéria seca (Tabela 3). Em relação às características de carcaça, foram observados aumentos nas quantidades de gordura renal e pélvica para o tratamento óleo de soja, em relação aos demais tratamentos (Tabela 3). Vale ressaltar que o trabalho fora realizado na Europa e que o manejo de abate lá empregado não retira o depósito de gordura renal e pélvica das carcaças no momento do abate, talvez por isso, não tenha sido observado diferenças no rendimento de carcaça, fato que poderia acontecer com manejos de abate realizados no Brasil. As diferenças observadas nas quantidades de gordura renal e pélvica não foram observadas para gordura subcutânea, não havendo problemas de acabamento para os diferentes tratamentos.

Tabela 3. Efeitos da inclusão de soja grão ou óleo de soja sobre o desempenho animal e características de carcaça.


A inclusão de gordura na dieta de bovinos de corte até o limite de 6% da MS, não apresenta efeitos contrários em relação ao desempenho, características de carcaça e conversão alimentar. A utilização de soja grão como fonte de lipídeos na dieta de bovinos de corte, pode ser uma saída interessante, porém até aproximadamente 25% da matéria seca da dieta, como foi feito no presente trabalho. Inclusões acima desse valor poderão levar a queda significativa na ingestão de matéria seca, podendo comprometer o desempenho dos animais.

Referências bibliográficas

JORDAN, E.; KENNY, D.; HAWKINS, M.; MALONE, R.; LOVETT, D.K.; O´MARA, F.P. Effect of refined soy oil or whole soybeans on intake, methane output, and performance of young bulls. J. Anim. Sci., v. 84, p. 2418-2425.

SUTTER, F., M. M. CASUTT, D. A. OSSOWSKI, M. R. L. SCHEEDER, AND M. KREUZER. 2000. Comparative evaluation of rumen-protected fat, coconut oil and various oilseeds supplemented to fattening bulls. Arch. Anim. Nutr. 53:1-23.

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