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Aditivos para bovinos de corte – antibióticos ou probióticos?

Os custos de alimentação representam aproximadamente 70-80% dos custos de produção na bovinocultura de corte intensiva, com grande importância nos custos finais de produção, determinando na maioria das vezes a competitividade do sistema. O aumento da eficiência alimentar, e a diminuição de custos com alimentação têm sido um dos maiores objetivos na pecuária de corte atual. O uso de aditivos em rações de bovinos confinados passa a ter importância ainda maior, por tratar-se de um sistema com custo alimentar fixo (custo operacional), e o desempenho dos animais ser o limitante entre o lucro e o prejuízo na atividade.

Os aditivos são definidos pelo Ministério da Agricultura como substâncias intencionalmente adicionadas ao alimento, com a finalidade de conservar, intensificar ou modificar suas propriedades, desde que não prejudique seu valor nutritivo.

Um dos compostos que vem obtendo sucesso há vários anos como aditivos alimentares, são os chamados antibióticos ionóforos, os quais incluem a monensina, a lasalocida, e outros. Os ionóforos são moléculas de baixo peso molecular, utilizadas extensivamente como agentes anti-coccidianos em ruminantes. Atualmente existem aproximadamente 75 produtos conhecidos como ionóforos, mas com alguma variação na composição química e extensão da atividade biológica. Estudos avaliando a eficácia do uso dos ionóforos, encontraram que o seu efeito diferiu devido à qualidade da forragem, sexo, status fisiológico e dose utilizada. (Jacques et al., 1987).

Atualmente, há alguns movimentos para o término do uso de antibióticos como promotores de crescimento para animais de produção, e a crescente preocupação sobre os efeitos colaterais, como a resistência cruzada a medicamentos de uso humano. Dessa maneira, a busca por alternativas para a manutenção da eficiência produtiva sem a utilização de ionóforos tem grande importância para a produção animal. Nesse contexto, os probióticos estão sendo considerados uma boa opção para substituir os antibióticos nas rações de animais zootécnicos. O crescente avanço da engenharia genética, possibilitará a seleção de microorganismos, bem como a transferência de genes entre esses microorganismos, gerando previsões otimistas sobre a utilização de “microorganismos aditivos” na melhora da eficiência na produção de ruminantes.

Fereli et al. (2010) avaliou os efeitos da inclusão de monensina sódica (ionóforo) e/ou Saccharomyces cerevisiae (probiótico) na dieta de bovinos machos castrados, sobre a digestibilidade de nutrientes e eficiência da síntese protéica ruminal. Foram avaliadas as seguintes inclusões dos aditivos na dieta: 200mg de monensina sódica (100% ionóforo); 100mg de monensina sódica + 2,5g Saccharomyces cerevisiae (50% ionóforo/50%probiótico); 200mg de monensina sódica + 5g Saccharomyces cerevisiae (100% ionóforo/100%probiótico) e 5g Saccharomyces cerevisiae (100% Probiótico). Os animais receberam dietas com elevados teores de energia (75% Nutrientes digestíveis totais e 14% Proteína bruta), na proporção 30:70 volumoso:concentrado (Tabela 1). Os animais experimentais eram alimentados 2 vezes ao dias, manhã e tarde, sendo introduzidos diretamente no rúmen as dosagens de ionóforos ou probióticos durante a manhã.

Tabela 1. Composição química das dietas experimentais

Não houve diferença na ingestão de matéria seca entre as dietas avaliadas, tal informação é de grande importância, visto que, um dos possíveis efeitos da inclusão de aditivos na dieta de ruminantes é a alteração no consumo total de matéria seca (Tabela 2). Foram observadas diferenças em relação à digestão intestinal e total de matéria seca (MS) para os diferentes tratamentos, sendo menor para as dietas com ionóforos (Tabela 2). Não houve diferença para as dosagens de 2,5 ou 5g Saccharomyces cerevisiae, com ou sem ionóforo (Tabela 2). Também não foram observadas diferenças em relação à digestão ruminal de matéria seca.

A inclusão de 2,5 ou 5g Saccharomyces cerevisiae levou à queda da digestão da proteína bruta no rúmen e, aumento da digestão intestinal desse mesmo nutriente.

Tabela 2. Ingestão e digestão de matéria seca e proteína bruta das dietas experimentais

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Os resultados apresentados nesse trabalho, e outros disponíveis na literatura, mostram que a inclusão de leveduras pode ser uma alternativa para a substituição dos ionóforos. Com as restrições ao uso de ionóforos, outras alternativas devem ser buscadas para que se mantenha a eficiência produtiva nos sistemas de produção animal.

Referências bibliográficas:

JACQUES, K.A .; COCHRAN, R.C.; CORAH, L.R.; AVERY, T.B.; ZOELLNER, K.O.; HIGGINBOTHAM, J.F. Influence of lasalocid level on forage intake, digestibility, ruminal fermentation, liquid flow and performance of beef cattle grazing winter range. Journal of Animal Science, v.65, p. 777-785, 1987.

FERELI, F; BRANCO, A.F.; JOBIM, C.C.; CONGLIAN, S.M.; GRANZOTTO, F.; BARRETO, J.C. Monensina sódica e Saccharomyces cerevisiae em dietas par bovinos: fermentação ruminal, digestibilidade dos nutrientes e eficiência de síntese microbiana. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 39, p. 183-190, 2010.

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