Durante a Feicorte 2010, Miguel da Rocha Cavalcanti conversou com o consultor em capacitação, Eduardo Borba, a respeito de manejo racional, adestramento de animais e treinamento de mão de obra.
Motivações para melhorar o bem-estar de animais de produção
O argumento utilizado para a aplicação de estratégias diferenciadas de manejo de bovinos, com foco no bem-estar animal há tempos vem sendo associado à vontade e/ou necessidade dos integrantes da cadeia produtiva em atingir mercados compradores mais exigentes que pagam mais por essa diferenciação. Mas é importante lembrar que este argumento não é, e nem deve ser único.
Mão de Obra x Manejo Racional
Tenho tido a felicidade de dar Curso em Manejo Racional para Bovinos de Corte, em várias fazendas no interior do Brasil e a preocupação é a ausência do proprietário ou do responsável. É comum, que apenas os peões freqüentem o curso, o que diminui a importância do assunto para a fazenda. A mão de obra faz parte justamente da Ambiência, e esta pode ser melhorada com treinamento que repassa conhecimento, porém há a necessidade de supervisão.
Uma Boa Notícia
O lançamento do Programa Nacional de Abate Humanitário (PNAH) no dia 02 de abril promete ser uma boa notícia. Uma iniciativa da WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), em parceria com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), nos dá alento quanto ao reconhecimento do trabalho de poucos ainda, em prol de uma matéria prima com melhor qualidade.
Mão de obra x qualidade da carne
No Mundo todo se nota uma exigência cada vez maior dos consumidores com a qualidade e a procedência dos alimentos que adquirem. O conceito de abate humanitário tem como objetivo poupar os animais de qualquer excitação, dor ou sofrimento desnecessário. O que fica claro, é que o MAPA esqueceu, que se o manejo não for melhorado nas fazendas e no transporte, nada adiantam boas praticas de manejo no frigorífico. As cobranças que estão sendo feitas quanto à qualidade da carne, quando nos referimos à carne bovina, encontra-se uma barreira cultural praticamente intransponível, devido à falta de conhecimento tanto técnico, quanto de legislação por parte daqueles que manejam os animais.
A importância econômica do Bem-Estar em animais de produção
Bem-estar animal não são barreiras sanitárias e sim diretivas e ou normas que são impostas por países importadores, visando atender tanto as exigências do mercado consumidor no quesito qualidade, quanto para equilibrar questões econômicas entre produtores internos e externos. A literatura especializada já consagrou a importância das boas práticas pecuárias, em especial o bem-estar animal. Além do aspecto moral de não maltratar o ser vivo que futuramente servirá de alimento, o trato dispensado ao rebanho, pode ter sérias implicações financeiras.
Efeitos do manejo de desmama sobre o desempenho e o retorno econômico de bovinos confinados
O desempenho de bovinos de corte durante o período de confinamento é influenciado principalmente por fatores de ocorrência durante o confinamento, como aspectos nutricionais, genéticos e o arraçoamento. Contudo, a preparação do bovino para o período de terminação, também poderá influenciar no desempenho desses animais durante a terminação, principalmente nos casos de confinamento pós-desmama. Os diferentes manejos poderão gerar mais ou menos produção, alterando assim o custo de produção e consequentemente o retorno econômico. Portanto, a origem do animal (genética), e o manejo utilizado da desmama ao confinamento podem determinar melhor ou pior desempenho de bovinos de corte confinados.
Uso do manejo racional para condução de grandes rebanhos
Em grande parte dos sistemas de produção de bovinos de corte no Brasil, o manejo de animais em grandes lotes é prática rotineira. A condução de grandes lotes para as áreas de manejo ou piquetes de pastejo podem se tornar difícil, gerando problemas e exigindo maior número de manejadores (custo de mão obra) e de tropas, além é claro do tempo despendido. Porém, o entendimento de alguns princípios do manejo racional nos permitem obter os mesmos benefícios em pequenos ou grandes lotes de bovinos em manejo.
Fatores visuais que influenciam o manejo de bovinos de corte
Os bovinos possuem boa qualidade de visão, inclusive noturna, enxergando muito bem durante a noite. Diferente dos humanos, os bovinos possuem uma visão panorâmica, devido à posição de seus olhos, que afastados conseguem enxergar atrás da cabeça, adquirindo uma visão de 360 graus quase perfeita. Porém, possuem um ponto cego atrás da cabeça que devemos ter sempre cuidado para não permanecer nesse local, pois se o animal não enxergar o momento da aproximação humana, não saberá o que é, podendo se assustar e atacar, tendo reações bruscas como coices, por exemplo.
Manejo racional de bovinos mantidos a pasto e o uso do espaço – parte 2
Os bovinos de modo geral são bem modestos em suas necessidades, não sendo difícil atendê-las, porém, ao serem manejados ocorrerá uma desorganização natural em suas atividades sociais, dificultando a manutenção do espaço individual anteriormente estabelecido. Esse fato irá provocar a quebra do equilíbrio na hierarquia de dominância, sendo difícil a minimização desses efeitos, frente aos equipamentos e as estratégias que usamos rotineiramente nas propriedades. Um rebanho bovino se comporta como uma unidade, na qual a maioria dos membros apresenta o mesmo comportamento ao mesmo tempo. Há sempre um animal que inicia o deslocamento ou as mudanças de atividade, sendo seguido pelos demais, trata-se do líder.
