Os paradigmas e o futuro da extensão rural no Brasil

Por José Annes Marinho

Há alguns dias coloquei algumas hipóteses sobre a situação da extensão rural no Brasil. E fiz alguns questionamentos que poderemos discutir um pouco mais. O fato é: o Brasil passa por uma euforia gigantesca, preços fortes, porém se corrigidos pela inflação abaixo das expectativas, boas produtividades exceto a algumas regiões, linhas de financiamentos cada vez maiores e outros. Isso é bom? Claro, sem dúvida melhora a vida dos produtores e das cidades do Brasil. Mas nem tudo são flores, ainda continuamos com sérios problemas, e pasmem são problemas de 20 a 30 anos atrás, alguns exemplos: logística ineficiente (portos, estradas, armazéns).

Segundo, ANDA (Associação Nacional de Difusão de Adubos), o Brasil perde mais de U$ 400 a 500 milhões em problemas com “demurrage”, ou seja, fila nos portos para descarregar os fertilizantes e nossas estradas sucateadas, melhoramos? Muito pouco. Não podemos mais ficar de braços cruzados, precisamos fazer com que as coisas mudem, e isso é vontade política, é capacidade de decisão. Senhores governantes faz tempo que pedimos soluções, precisamos de sua capacidade de liderar para melhorar é por isso que lhes elegemos, o Brasil e setor agro agradecem seu esforço.

Bom, estes são alguns de nossos problemas, mas um que ainda não temos uma definição clara é a parte de extensão rural. E pergunto de que é a responsabilidade? Da indústria, das revendas e cooperativas, do governo?

Responsabilidade difícil de ser atribuída a um ou outro, o que precisamos é não deixar o produtor sem assistência, pois a tecnologia e informações para atividade rural estão muito ativas e cada vez mais “urgentes”. Será que não deveríamos pensar em uma solução em conjunto, por entendo que extensão rural nada mais é do que prestação de serviço. Será que as empresas, as revendas, os escritórios de assistência, o governo, as cooperativas e revendas não teriam interesse em fidelizar este cliente? Eu acredito que sim, e temos vários exemplos: cooperativas que focam no atendimento, geração de informações e técnicas que melhoram a atividade dos produtores, e acima de tudo, gestão para o cliente, em geral mantêm seus quadros de sócios, e por sinal muito satisfeito.

Vamos mostrar um pouco da história da extensão em meados de 1970 a 1990 tínhamos uma estrutura de assistência técnica excelente, focada na melhoria das técnicas no campo, após a era Collor, houve um processo de retração na assistência rural, ou seja, um desmantelamento, os recursos se tornaram finitos, a forte concorrência destinada as superintendias estaduais da EMATER por ONG’s, que talvez não tenham a expertise para passar informações aos nossos produtores, e tudo isto gera um caos em nossa estrutura governamental deste importante setor para o agro. E como podemos ajudar a viabilizar e voltarmos a termos uma assistência técnica exemplar?

Primeiro precisamos de vontade política, para que a nova Lei 12.188/2010 e Decreto 7.215/2010 que regulamenta a lei de atuação da Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural). A Lei instituiu a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater), define os princípios e os objetivos dos serviços de Ater e cria o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária (Pronater). A Pnater permitirá a contratação de serviços de forma contínua, com pagamento por atividade mediante a comprovação da prestação dos serviços. Está Lei foi sancionada em 2010, já estamos em 2012, e infelizmente não tenho visto melhorias ao produtor, principalmente ao pequeno.

Repito um pensamento que acredito ser o cerne para esta mudança de paradigmas na extensão rural “Acredito fielmente, que nossa agricultura melhorou muito, porém será um processo longo de conscientização e de aprendizado, pois uma geração passa para outra o conhecimento.Talvez seja neste ponto a solução, pois a grande maioria dos jovens tem buscado fora dos campos diversas especializações, para que tudo possa contribuir para melhorar a vida de suas famílias no campo.”

Neste contexto precisamos que os paradigmas e ranços sejam quebrados, quando falamos em extensão rural, estamos falando de educação, do agroconhecimento. O que precisamos são líderes que determinem e estejam presentes, que “coloquem a faca entre os dentes”, que possam ir a luta, que façam acontecer, que busquem incansavelmente parcerias. Que paradigmas do passado – onde indústria, governo e ONG’s não podiam trabalhar juntos – sejam quebrados.

E o futuro, será que conseguiremos implantar e executar na prática a Lei da assistência técnica? Se continuarmos neste ritmo, dificilmente iremos melhor a vidas de nossos heróis, ficaremos fazendo muito, porém com pouca eficácia, muitos profissionais sabem que estou falando a verdade. Mas, sejamos otimistas é natural de nossa cultura, mesmo com grandes desafios burocráticos e culturais acredito que nos próximos anos, o governo brasileiro, irá valorizar mais nosso setor, seja por inércia, seja por vontade própria, ou seja, por necessidade e cobrança da sociedade. Exercitemos a responsabilidade compartilhada, reflitamos sobre nossos julgamentos para ajudar o Brasil Agro a continuar crescendo e acreditem “o melhor está por vir, sempre”.

A ANDEFedu é a área da ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal) destinada à educação, que se dedica a planejar, organizar, inovar, desenvolver novas formas de educar e levar a responsabilidade socioambiental e as boas práticas agrícolas aos campos brasileiros.

Sua missão é atingir, incentivar e ser referência ao empresário rural, a pesquisadores e à sociedade brasileira, por meio de métodos que formem multiplicadores da sustentabilidade, visando a uma agricultura forte e sustentável para o país. Para isso, a ANDEFedu produz há mais de 37 anos conhecimento técnico-científico e melhores recursos para adoção de boas práticas agrícolas na agricultura.

Por esse trabalho de cooperação e a constante busca por melhores técnicas, a ANDEF e suas associadas se encontram em lugar de destaque no meio rural e acadêmico. Seu pioneirismo, sua criatividade, seu ímpeto, possibilitam diversos e excelentes resultados ao empresário rural do Brasil: novas tecnologias, responsabilidade socioambiental, conhecimento, informação, produtos altamente eficazes e, acima de tudo, educação à família rural.


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