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Dinamismo e Mercado Global

 Dinamismo e Mercado Global



Autor: Eduardo Barbosa Strang
Médico Veterinário, Presidente do Sindivet-MS, Articulista do jornal O Estado MS.

Recentemente vivemos tempos de muito dinamismo no mercado e na diplomacia internacional, prova disso, o Itamarati marcou mais um gol contra os Grande Satã (alcunha dos Estados Unidos em Teerã) ao posicionar-se ao lado do Irã, por mais que pareça uma abolição brasileira da regra geral que em diplomacia não há amizades e sim interesses, somos amigos do Ahmadinejah (peraí somos é muita gente, eu não sou nem conheço o cara). Dizem que no caso específico nosso interesse não é no urânio nem na bomba atômica e sim na crescente classe média do país islâmico que teria interesse por sua vez no nosso frango.

Coincidências a parte na semana passada o grupo JBS foi obrigado a fazer um recall de carne processada exportada a partir de Lins, SP, para os Estados Unidos; graças a Deus o problema na verdade é de metodologia de análise e o nosso Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento suspendeu todo o processo de análise e certificação visando exportações aos EUA até que reunido e de comum acordo com o USDA (similar americano do nosso MAPA) sejam padronizadas as metodologias a serem empregadas. Ambos nos interessam demais posto que de importador de carnes nas décadas de 70 e 80 passamos a, rufem os tambores, maior exportador de proteínas animais do mundo. Somos o alvo, o país a ser batido, tudo e qualquer motivo pode e com certeza vai ser usado para diminuir nossa participação nesse mercado que já foi americano, australiano, argentino e agora é nosso, mesmo nesses países nossos grupos são os líderes em abate (ops, nossos por patriotismo, já que não sou acionista de nenhum deles, e dizem dinheiro não tem pátria).

Para mim o pior de tudo é que a análise americana encontrou em excesso é ivermectina, e trata-se de um vermífugo hoje considerado imprescindível na pecuária de corte, exceção feita aos que adotem profilaxias homeopatas e produtores orgânicos, usamos do nascimento à terminação, fase em que se torna cada dia mais importante pela incidência cada vez maior de cisticercose nos abates. Mas como melhor de tudo é que essa somatória indica apenas uma solução consulte sempre um médico veterinário antes de tomar quaisquer decisões tanto profiláticas (especialmente calendário sanitário) quanto de qual produto usar, para que se adeque a necessidade à oportunidade e o resultado não tenha que ser discutido no tribunal de Haia. Afinal a nossa Águia já é apenas figurativa, não tem mais peso em decisões.
 

*Artigo originalmente publicado no suplemento agrícola do Estado MS, em 07 de junho de 2010.
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