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Preço do boi gordo – De novo, não!

Olha, essas últimas semanas têm sido difíceis, como são todas as outras em que o boi engata uma ré. Análise do Rogério Goulart da Carta Pecuária nos mostrou que esta é a quarta semana consecutiva de queda para o preço da arroba. Para quem quiser conferir, leia aqui.

Essa análise deixa claro que, estatisticamente, fica difícil pensar em mais queda. Ou seja, este pode não ser o fundo do poço, mas também não me parece ser uma boa hora para vender os animais, se é que você me entende.

Bom, neste momento estou observando alguns fatores pra tentar enxergar até onde pode ir o movimento. Reconheço que estou um pouco preocupada.

Primeiro, vamos ao aspecto técnico da questão. Observe este gráfico:

Gráfico 1. Evolução da arroba do boi (indicador Cepea/ESALQ) em SP e Fibonacci.

 

Eu sei, eu sei. Tem muita gente que não acredita na análise gráfica, que faz piada e diz que isso não serve pra nada, mas peço apenas uma chance de mostrar como os movimentos técnicos podem nos ajudar a levantar alguns alertas.

Em primeiro lugar, essas linhas traçadas no gráfico da arroba do boi gordo são um estudo que chamamos de Fibonacci. Esse grande cara, o Leonardo Fibonacci, era uma pessoa realmente inteligente. Claro, tinha que ser italiano!

Piadinhas a parte, ele descobriu que tudo nessa vida se movimenta dentro de um determinado padrão. As ondas do mar, as vibrações sonoras, os índices financeiros e até mesmo os preços do boi gordo.

A partir disso, pegamos o movimento mais representativo do boi gordo nos últimos tempos, que foi a queda ocorrida entre novembro de 2010 e junho de 2011, e traçamos o estudo de Fibonacci. É assim que se faz. São as linhas contínuas vermelhas do gráfico acima, observe que elas estão posicionadas entre o valor mais alto e o mais baixo desse movimento importante.

A partir desse range, o que interessa é o que esse movimento projetará, traduzido por linhas tracejadas azuis. Percebam que o Fibonacci estabelece suportes e resistências que o mercado respeita mais cedo ou mais tarde.

Isso ocorreu em novembro de 2011, quando o boi atingiu seu pico da entressafra nos R$109,00/@. Aqueles mesmos R$109,00 representavam o padrão estabelecido pelo Fibonacci a partir do movimento que se localiza entre as linhas contínuas.

E agora, o Fibonacci nos sugere algo. Neste exato momento, o boi gordo testa a mínima registrada em junho do ano passado, exatamente o fundo da safra de 2011. Preocupante. É um suporte importante. Se perdido, poderá levar a arroba aos R$90,00. O Índice de Força Relativa (IFR) também está representado no gráfico. Ele reflete a força do movimento conforme anda a carruagem.

O IFR pode ir de 0 a 100. Neste momento, estamos nos aproximando do fundo, ou seja, o IFR tem força 17. Normalmente, ele não fica ali por um período longo, mas ao mesmo tempo, ninguém consegue estabelecer um limite. Em todo caso, uma coisa é certa: ele costuma durar mais esticado em movimentos de alta do que em movimentos de baixa, o que fica bem claro no gráfico que colocamos acima.

Em outras palavras, ele apenas encosta nos patamares mais baixos, mas nos patamares mais altos, ele chega a colar por mais tempo.

Agora sairei do âmbito técnico e entrarei na questão fundamental. Uma coisa que me preocupa um pouco mais. Vocês têm observado as escalas de abate ultimamente? Estou sempre de olho nelas. É o meu tira-teima para cada análise que faço. Todas elas consideram, invariavelmente, as escalas de abate.

Em São Paulo, a média das escalas vem diminuindo desde setembro de 2011, quando as programações chegaram a seu patamar mais alto desde outubro de 2009. É claro, em plena entressafra, a concentração de venda de animais confinados estava dando folga para o pessoal dos frigoríficos.

Eles não são bobos nem nada, aproveitaram pra fazer o máximo de escala bem rápido, antes que os preços começassem a subir e – diga-se de passagem – foi exatamente o que aconteceu.

Agora, essa linha mais suave e vermelha que coloquei no gráfico indica que nos aproximamos do patamar em que as escalas não estão tão longas, mas são o suficiente pra deixar emplacar uma pressão baixista.

Gráfico 2. Evolução das escalas de abate em Barretos – SP.


Esse gráfico não possui o comportamento das escalas nas outras praças, mas preparei uma tabela interessante pra acompanharmos.

Tabela 1. Variação das escalas de abate em janeiro e fevereiro de 2011 e 2012.

Ela mostra que o pessoal dos frigoríficos está abatendo mais hoje em comparação com o mesmo período do ano passado. Em outras palavras, as escalas estão mais longas em 2012.

Gente, tem mais boi ofertado hoje. É visível em todas as praças. Mesmo sem olhar a tabela, sabemos pelas conversas que não está difícil encontrar bois magros para comprar. É claro, isso é um reflexo do péssimo regime de chuvas que temos vivenciado em algumas regiões importantes para a pecuária, como no Mato Grosso do Sul, por exemplo.

Mesmo que a média de duração das escalas esteja caindo, temos que considerar que aquele era um período em que o frigorífico precisava aproveitar a oportunidade e escalar o que aparecesse. E tinha, sim, uma grande concentração de animais de cocho. E quem confina, sabe: o boi de cocho não espera preço melhor. Se esperar, vira prejuízo.

Figura 1. Mapa de precipitação na América do Sul.

Respondam pra mim se isso é época de vermos um mapa como esse!

Mas não é só isso. Não dá pra esquecer que retivemos fêmeas desde 2006 e que aqueles bezerros têm que aparecer uma hora ou outra. Portanto, acredito que temos aí dois fatores combinados levando a uma oferta maior de animais – e refletindo sobre as escalas de abate.

Por sorte, o consumo interno tem segurado muito bem o baque, mas tem horas que o movimento fica exagerado, vai além do que a gente acha que deveria ir por causa de uma oferta maior.

E agora, hein?

Agora entraremos na segunda quinzena do mês, nada bom para o consumo. Mas tenho um palpite para 2012: estamos todos pessimistas. E você sabe o que acontece quando todo mundo senta do mesmo lado da canoa, não é?

Bom, pra finalizar, vou fofocar um pouco. A minha semana foi agitada. Estive em São Paulo para prestigiar o 1º Workshop BeefPoint e foi muito bom. Lá conheci muita gente legal, encontrei alguns amigos do mercado e, pra melhorar, ganhei do pessoal do Novilho Precoce/MS uma picanha maravilhosa. Vou experimentar no carnaval e depois conto as minhas impressões pra vocês, pra passar um pouco de inveja pra quem gosta de carne de qualidade.

Abração e até a semana que vem!

Ah, só mais uma observação. Não quero adiantar nada nem queimar largada, mas sou uma pessoa ansiosa. Depois do carnaval possivelmente teremos uma surpresa muito legal aqui na coluna. Aguardem!

Abraços de novo.

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