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O homem e a mata existente

A instituição da Reserva de Mata Existente oferece principalmente segurança jurídica ao produtor rural, sem caracterizar confisco ou quebra do direito constitucional de propriedade. Com isso, a eficiência do uso da terra é aumentada sem que haja ameaças punitivas e, principalmente, sem restrições à liberdade de produzir de forma racional usando o solo, a água e os recursos renováveis disponíveis na propriedade com regras pré-estabelecidas, como as do Código Florestal Brasileiro. Por Celso de Almeida Gaudencio , Engenheiro Agrônomo em Londrina

Código Florestal desqualifica pesquisa e sistemas rurais

O relatório do Código Florestal, aprovado no Senado, desqualifica todo esforço da pesquisa brasileira na concepção dos sistemas rurais mais avançados do mundo. Ignora os domínios ecológicos e a classificação dos solos brasileiros, exigindo linearmente reserva legal em áreas de maior aptidão agrícola, tanto em terras altas como nas várzeas e brejos férteis. Cabe às instituições de pesquisa e à classe agronômica se pronunciar para a correção. Artigo de Celso de Almeida Gaudêncio, engenheiro agrônomo, Londrina-PR.

Pressão dos custos na terminação de bovinos no Brasil

No primeiro quadrimestre de 2011, a manutenção da valorização da carne bovina foi companhada pela pressão dos custos de produção e do preço de reposição dos bovinos. Fato que, por si só, retraem o crescimento do número de animais para a terminação. Mesmo sendo remoto, o aumento de oferta de animais prontos para abate não pode ser desconsiderado. O mais prudente é diminuir a intensificação produtiva, pois a oferta deve suprir a demanda no período de safra.

A ameaça ao sistema rural brasileiro

Agora, no momento em que se discute o novo Código Florestal, os sistemas produtores de alimentos devem ser considerados como base. No contexto, a biodiversidade original deve ser função e esmero dos Parques Nacionais e das Concessões de Florestas Publicas, bem como da exploração racional das essências florestais. Caso a tese “ambientalista” prepondere sobre a tese da produção do campo no novo Código Florestal, essa, sem dúvida alguma sentenciará o malogro dos sistemas rurais brasileiros.

O bom tamanho da bovinocultura de corte brasileira

No terceiro quadrimestre, como resposta às ameaças externas e internas, a bovinocultura brasileira apresentou o tamanho ideal para atender a demanda de carne. A estatística oficial de 2009 aponta para 205 milhões de bovinos, dos quais 22 milhões são vacas leiteiras em ordenha. Contudo a estatística não informa quantos são animais exclusivos para abate. Dessa forma, intui-se que o gado de corte com diferentes idades não alcance 170 milhões de cabeças. Mas a imprensa também considera vacas matrizes e animais ao pé como sendo boi pronto para abate. Ao falsear acabam afirmando que no Brasil existe um boi para cada habitante. Os consumidores de carne são ainda mais confundidos com notícias de departamentos e organizações que, avessos a bovinocultura nacional, propõem mudanças nos índices de produtividade sem conhecer o verdadeiro tamanho do rebanho de corte. Mas o papel mais importante no controle da oferta de animais prontos foi a forma inteligente de efetuar a terminação no coxo.

A evolução das espécies e as florestas brasileiras

Na constituição de ecossistemas rurais mais avançados do mundo, os que tratam do meio ambiente ignoram o ganho da pesquisa agropecuária brasileira nas ultimas décadas. Lamentavelmente, teses ambientais contundentes desestimulam a continuidade do enfoque sistêmico da pesquisa rural do país. Não levam em conta, por exemplo, a evolução dos seres vivos, ao exigir a preservação da biodiversidade original em cada propriedade, ao invés de atribuir esta tarefa aos Parques Nacionais estabelecidos nos diferentes domínios ecológicos brasileiros.

Protelar a oferta bovina em contraposição aos ataques ao setor

Basta adequar a fertilidade dos solos, deferirem os pastos e protelar a reposição reguladora da oferta para que haja resposta econômica para o ecossistema pastoril. O reflexo disso ocorreu com o mercado estável, esboçando recuperação de preço no fim do segundo quadrimestre, demonstrando que a política de oferta de bois está correta. Se esta tendência de preço continuar no decorrer do tempo, a bovinocultura terá retorno econômico e voltará a investir nos fatores da produção, melhorando a eficiência da criação a pasto, sem a necessidade de aumentar a lotação e, desta forma, proteger o solo, que depois do homem, da água e da mata é o principal constituinte do meio ambiente.

A bovinocultura a pasto se ressente da diminuição do consumo

Caso a pressão baixista persista, maior será o tempo de ajuste, desfavorecendo a intensificação produtiva e o grau tecnológico a ser adotado em alguns fatores de produção. Do exposto, os gargalos a serem seriamente considerados são, pela ordem: alta tributação, super oferta, câmbio baixo e crescente terminação de animais pelos frigoríficos. Somente se esses quatro fatores condicionantes forem solucionados, a bovinocultura voltará à normalidade. Caso não ocorram mudanças no modelo econômico e no comportamento do governo em relação ao pecuarista, poderá haver ruptura na produção, com riscos ao desabastecimento de carne e desalojamento de grandes contingentes do campo. O momento é para que o pecuarista pense em diversificar os investimentos fora da porteira, sem desistir da pecuária.

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