Gerenciamento aplicado em fazendas produtoras de carne

Por Guilherme Sangalli Dias1

Mercados se fechando, barreiras sanitárias, falta de política agrícola e dificuldades que somente um país tão grande quanto o Brasil pode sofrer devido sua diversidade, cultura e clima são fatores que influenciam o empresário rural na tomada de decisões o que pode afetar a continuidade do negócio.

Na verdade os fatores externos são dificuldades que sempre iremos conviver e por mais que nos atrapalhem dentro da cadeia produtiva, não temos como atuar em suas causas, ou seja, não temos gerência alguma. Isto nos leva à pensar que devemos concentrar nossas preocupações em fatores internos do processo produtivo, que devemos pensar em atuar sobre coisas que realmente podemos mudar, sobre processos que podemos melhorar, sobre produtos que podemos padronizar e pessoas que podemos treinar – o que significa atuar em algo que temos gerência.

Utilizando princípios criados pelos japoneses (Total Quality Control) nos anos 50 e 60, o que proporcionou a esta nação um salto de qualidade e produtividade, e adaptando à nossa realidade podemos atingir resultados incríveis. Onde havia uma realidade de reconstução de um país destruído pela guerra, em poucos anos já era reconhecido como centro de referência de metodologias de gestão através do desenvolvimento de ferramentas de qualidade – utilizando a disciplina e simplicidade.

O método gerencial conhecido como “Qualidade Total” começou a se tornar conhecido no Brasil no início da década de 90 e na virada do milênio a qualidade total na sua versão básica não é mais um diferencial e sim uma condição mínima para competir num mundo globalizado.

Considerando-se apenas os fatores internos de uma organização, a produtividade só pode ser aumentada pelo aporte de capital e pelo aporte de conhecimento. O aporte de capital tem retorno baixo inseguro e variável, o conhecimento tem retorno elevadíssimo porém de difícil avaliação.

O aporte de capital pode ser utilizado em um curto espaço de tempo, no entanto o conhecimento só pode ser feito de forma lenta e gradual. O aporte de capital depende da disponibilidade financeira, o de conhecimento somente da vontade.

Trazendo isto para dentro de uma organização seja ela uma grande siderúrgica, um hospital ou uma propriedade rural, podemos dizer que quando está bem definido o foco, e identifica-se claramente 2 ou 3 pontos críticos para atingir este resultado, temos aí o esboço de um plano.

A partir deste ponto basta esclarecer um pouco mais as tarefas de cada processo, definir o que é importante e passar isso em forma de treinamento aos colaboradores, então temos um Plano de Ação mais elaborado. Para tornar-se completo falta apenas uma etapa: a Orçamentação.

Os melhores modelos de gestão não gerenciam o passado e sim o futuro. Para explicar o passado basta uma boa conversa, porém para gerenciar o futuro requer conhecimento e metodologia. Quando orçamos o plano um ano antes que ele aconteça, podemos visualizar com clareza nossos resultados e a partir daí buscar uma melhoria deste plano a fim de incrementar os resultados definindo ações específicas.

Após as metas bloqueadas, teremos a oportunidade de monitorar mês a mês o andamento deste visualizado o resultado previsto para o fim do ciclo, garantindo a rentabilidade do período.

___________________________________
1Guilherme Sangalli Dias, Méd. Vet., Assessoria Agropecuária Marcon


ou utilize o Facebook para comentar