França reduz resistência e acordo entre UE e Mercosul pode avançar

Durante muito tempo considerado o país que mais bloqueava o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, a França mudou de posição nas últimas horas em favor de um fechamento rápido da negociação, que se prolonga há mais de 20 anos. Desde terça-feira, 30, delegados governamentais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai estão em Bruxelas na expectativa de avançar em um entendimento com a Comissão Europeia. Agora, o entendimento parece mais próximo.

Nos bastidores políticos em Paris, a tendência é de que a França dê seu acordo para que Bruxelas proponha a ampliação da cota de importação de carne do Mercosul de 70 mil toneladas por ano a 100 mil toneladas por ano, mesmo desagradando o setor francês, que teme uma invasão de carne brasileira, uruguaia e argentina.

Na sexta-feira, em reunião bilateral com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, Macron deu o sinal de que seu governo estaria pronto a aceitar o acordo com o Mercosul, desde que as negociações evoluam.

“Nós compartilhamos a mesma visão estratégica sobre este acordo entre União Europeia e o Mercosul, que pode ser bom para as duas partes. É pertinente tentar finalizá-lo rapidamente no contexto geopolítico atual”, argumentou Macron, em alusão à rejeição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a mais acordos de livre-comércio e em favor de medidas protecionistas.

Hoje, o ministro da Agricultura, Stéphane Travert, afirmou em declaração a deputados na Assembleia Nacional que, as condições ainda não estão reunidas. O recado é claro: o governo ainda espera que haja concessões dos países latino-americanos. “A França espera avançar com o Mercosul, mas no contexto atual é essencial chegar a um resultado equilibrado, e no estado atual, as contas não fecham”, afirmou.

Em Bruxelas, a equipe da comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, segue discutindo com os delegados de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai em busca de um entendimento. “As coisas avançaram, e nós esperamos agora que o Mercosul volte e nos dê seu parecer sobre a forma como poderíamos finalizar as negociações”, disse o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, em entrevista coletiva. “No final, só restam as questões mais difíceis. Mas se a vontade política é forte, como é o caso nesse momento, estou certo de que podemos chegar a esse objetivo.”

Fonte: Estadão, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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