Ingestão de alimentos e eficiência alimentar de bovinos e ovinos de corte: Metodologia de avaliação e instalações para viabilizar a colheita de dados na fase pós-desmama
Editora FUNPEC
Rodrigo da Costa Gomes, Miguel Henrique de Almeida Santana, José Bento Sterman Ferraz, Paulo Roberto Leme, Saulo da Luz e Silva
Nos últimos anos, tem sido observado um aumento considerável no interesse por um tema até então pouco explorado na bovinocultura e na ovinocultura de corte: a seleção genética para eficiência alimentar. Com o desenvolvimento de pesquisas na área, ocorreu um aumento significativo do conhecimento sobre esta característica e então, pouco a pouco, sua adoção em programas de melhoramento animal de bovinos de corte tem ocorrido ao redor do mundo.
No Brasil, estudos em bovinos foram iniciados a partir do começo deste século e iniciativas foram tomadas em direção à avaliação genética para ingestão e eficiência alimentar. Com isso, observou-se que criadores e técnicos ligados à atividade vêm se tornando cada vez mais interessados sobre a seleção para eficiência alimentar, principalmente pela possibilidade de redução dos recursos demandados para alimentação animal e também pelo apelo ambiental. Apesar disso, percebe-se que ainda são poucas as iniciativas de divulgação do conhecimento a respeito do processo de avaliação e seleção genética para eficiência alimentar, dos resultados esperados com a adoção desta tecnologia e também de suas limitações.
Por serem características que possuem custo e complexidade de mensuração relevantes, a avaliação de ingestão individual de alimentos e da eficiência alimentar em animais de produção tem sido concentrada, em sua maioria, em universidades e centros de pesquisa que possuem instalações adequadas e suporte humano para esse fim. Por outro lado, pela iniciativa de criadores, algumas avaliações têm sido realizadas dentro da própria propriedade rural, viabilizadas principalmente por adaptações de instalações já existentes naqueles locais. Este tipo de empreendimento de “baixo custo” representa uma importante alternativa para a colheita de dados de ingestão e eficiência alimentar e que pode ser incentivada, em nosso entendimento.
Compreendendo que a desinformação pode representar uma barreira à adoção de tecnologias na pecuária, o Grupo de Melhoramento Animal e Biotecnologia da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (GMAB/FZEA/USP) idealizou um documento que pudesse servir de instrumento de difusão do conhecimento sobre a característica em questão, assim como de informações a respeito do processo de sua avaliação. Com o presente trabalho, este grupo se propôs a apresentar de forma simples e objetiva informações a respeito do desenvolvimento de provas de avaliação de ingestão e eficiência alimentar, além de dar exemplos de como avaliações de baixo custo podem ser realizadas fora das universidades e centros de pesquisa. Destacamos que as informações aqui compiladas focam avaliações realizadas no período de crescimento ocorrido após a desmama do animal (fase pós-desmama), podendo englobar as fases de recria e terminação. Sendo assim, outras metodologias (não detalhadas aqui) são necessárias para a avaliação da eficiência alimentar no sistema de cria.
Esta obra foi organizada diferenciando-se as etapas principais de uma prova de avaliação de ingestão e eficiência alimentar. São apresentados os cálculos e a interpretação das medidas mais utilizadas para explicar eficiência alimentar nas espécies em questão e detalhes técnicos sobre o desenvolvimento de provas são discutidos. Estes detalhes são voltados para a avaliação de bovinos de corte, mas foram descritos de forma que se adequassem também à avaliação de ovinos e caprinos de corte. Dedicamo-nos também a descrever instalações para medição de ingestão individual de alimentos, com foco em exemplos de adaptações realizadas nas próprias propriedades rurais. Sendo isso, os objetivos específicos com este trabalho foram:
1- Guiar o manejo alimentar, o monitoramento individual da ingestão de alimentos e a determinação do ganho de peso em provas.
2- Instruir como calcular e interpretar medidas de ingestão e eficiência alimentar.
3- Orientar e exemplificar a construção de instalações para individualização da medição da ingestão de alimentos em bovinos e ovinos, nas próprias unidades criadoras dos animais.

