EUA: 25 anos de desafios da qualidade da carne

A informação extraída das Auditorias de Qualidade da Carne (BQA), dos Estados Unidos, gerou inúmeros programas e alianças em toda a indústria que se basearam no conceito de compartilhamento de informações para recompensar as partes interessadas e melhorar a qualidade geral da carne bovina.

“Nós reconhecemos que um modelo não necessariamente se adequa a todos”, disse Warren Weibert, que foi co-proprietário e gerente do Decatur County Feed Yard por 37 anos antes de se aposentar em 2014. Os produtores enfrentam variações ambientais significativas de região para região.

“O gado deve funcionar primeiro na fazenda, mas o Projeto de Alianças Estratégicas mostrou que os produtores poderiam se beneficiar de cooperar com os outros segmentos da cadeia para melhorar o seu gado e aumentar seus lucros”.

A influência desse primeiro projeto de alianças estratégicas é vista em quase todos os cantos da indústria de carne de hoje. Os produtores agora obtêm maior valor ao gado através de programas de melhoramento genético e de saúde.

Aqueles que comercializam bezerros veem maiores preços de venda para programas de desmame e pré-condicionamento que fornecem aos compradores pistas sobre seu desempenho no confinamento.

Os produtores que optam por manter a propriedade podem ganhar premiums de carcaça através de faixa de preços dos frigoríficos e de programas de carne de marca. Mais evidências da revolução da qualidade da carne bovina são encontradas no aumento significativo das carcaças classificadas como Choice e Prime. Em 2006, 56,2% das carcaças foram classificadas como Choice, com outros 2,8% se classificando como Prime. Em 2016, quase 74% das carcaças se classificaram como Choice, com 5,9% Prime.

Três principais direcionadores levaram maiores classificações de qualidade, disse Larry Corah, professor emérito da Universidade do Estado do Kansas, que também atuou durante 18 anos como vice-presidente da divisão de desenvolvimento da oferta da Certified Angus Beef LLC (CAB).

Aumentos no preço do boi gordo de 2005 a 2010, enquanto os preços dos grãos se mantiveram relativamente estáveis significaram que os confinadores poderiam ganhar mais engordando o gado até pesos maiores. “Esses limites mais pesados geralmente significam mais marmoreio e classificações maiores de qualidade.”

A seca generalizada nos primeiros anos desta década forçou os produtores a abater mais animais de seu rebanho. “Isso eliminou muitos bovinos de pior qualidade e os produtores os substituíram por vacas de melhor qualidade”.

O terceiro direcionador de ganhos de qualidade é o foco da indústria na genética. “Dentro da raça Angus houve uma seleção contínua para marmoreio. Mas também vimos outras raças, como Simmental e Hereford, que colocaram ênfase significativa no marmoreio”.

As melhorias em termos de qualidade e consistência são o motivo dos programas de carne bovina de marca representarem agora 96% de toda a carne vendida no varejo.

O CAB, por exemplo, vendeu mais de 1 bilhão de libras no ano fiscal de 2016, continuando o crescimento fenomenal da marca ao longo de uma geração. A genética melhorada no nível da fazenda ajudou a tornar esse crescimento possível. Em 1991, a taxa de aceitação do CAB para o gado identificado em uma base viva foi de 16%.

“O melhoramento genético e a maior porcentagem de Angus em rebanhos comerciais aumentaram drasticamente a qualidade na última década. A taxa de aceitação no ano passado foi o recorde de 28,9%, mais do dobro do que em 2006. A taxa de aceitação foi em média superior a 32% em julho deste ano, que parece ser outro recorde e o 13º ano consecutivo de crescimento”.

As histórias de sucesso também podem ser encontradas através de outros programas de marca, e os consumidores continuam a comprar carne, apesar do aumento dos preços de varejo nos últimos anos. A revolução da qualidade da indústria, no entanto, deve continuar com novos objetivos.

“Nos 25 anos desde a primeira NBQA, o alcance do termo ‘Qualidade’ se expandiu; e isso é justificado”, disse Smith.

“As questões sociais – como cuidados com os animais/manejo e sustentabilidade – ganharam força com os consumidores de nossos produtos. A cadeia de fornecimento de carne bovina reagiu magnificamente em ambas as frentes e deve divulgar melhor, tanto com os clientes como com os consumidores, os resultados desses esforços – via transparência proporcionada através da rastreabilidade. Vamos anunciar isso ao mundo. O Canadá fez isso, revelando que sua carne sustentável estará em breve disponível para as pessoas preocupadas com a saúde humana e a saúde do nosso planeta.”

Semelhante a apresentações em reuniões de produtores em meados da década de 1990, onde Smith e Mies fizeram campanha por mudanças dramáticas na mentalidade e nas práticas de produção, hoje eles defendem novas ideias que podem não afetar o sabor da carne bovina, mas podem impactar bastante a aceitação do consumidor.

“Eu entendo a relutância de alguns produtores em divulgar informações empresariais privadas para outros, mas a indústria da carne precisa se tornar mais transparente”, disse Smith.

“A NBQA de 2005 identificou a ‘Rastreabilidade’ como o desafio de qualidade classificado em primeiro lugar, e a NBQA de 2016 listou ‘Como e onde o gado foi criado’ como o quinto desafio de qualidade. Apesar de sermos a nação tecnicamente mais avançada do mundo, estamos atrasados em usar o que sabemos para competir globalmente na questão da rastreabilidade. Os consumidores querem saber de onde vem o alimento e como foi produzido”, disse ele.

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Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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