Os frigoríficos conseguiram alongar as escalas e iniciaram a última semana de novembro com pouquíssimo interesse pelas compras. Com escalas para o final da semana que vem, os compradores voltaram a pressionar por preços mais baixos e muitos permaneceram fora das compras.
O indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista foi cotado a R$ 87,59/@, nesta quarta-feira, acumulando desvalorização de 1,82%. O indicador a prazo teve queda de 1,89% na semana, sendo cotado a R$ 88,59/@. Em relação ao mesmo período do mês passado a variação é de -3,58%.
Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&F, relação de troca, câmbio

O dólar compra fechou a R$ 2,3213, com variação semanal de -2,29%. Frente esse recuo, o indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo em dólares foi cotado a US$ 37,73/@. Apesar da variação positiva na semana (+0,49%), ele está 3,76% menor do que há um mês e 37,23% abaixo da cotação de 1 de agosto de 2008 (pico), quando valia US$ 60,12/@
Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista em R$ e em US$

Segundo a Gazeta Mercantil, nesta quarta-feira, o dólar recuou seguindo a melhora de humor das praças internacionais. Para o gerente financeiro da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar Batista, o forte fluxo de investidores estrangeiros aliado ao bom humor externo explicam essa queda. “Mas enquanto permanecerem as incertezas, o mercado seguirá volátil e o Banco Central seguirá atuando para controlar as oscilações”, avalia.
Ajudou na baixa do dólar o anúncio de corte na taxa de juros da China por permitir a recuperação no preço das commodities. O otimismo com a formação da equipe econômica do presidente-eleito dos Estados Unidos – nesta tarde, Obama confirmou o nome do ex-chairman do Fed, Paul Volcker, para o comando do painel de conselheiros econômicos -, e o novo pacote de ajuda ao setor imobiliário de US$ 800 bilhões também contribuíram com o clima mais tranqüilo.
Além disso, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, anunciou um plano de €200 bilhões, o que representa cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Européia, para estimular a economia da região.
No front doméstico, as atenções se voltaram para a elevação de 0,49% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). O economista chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, diz que, apesar de não ser um quadro confortável com a inflação, a perspectiva de desaceleração da atividade econômica ao longo dos próximos meses, e a queda dos preços das commodities, deve beneficiar uma diminuição da inflação em 2009. “A dúvida que persiste é o efeito da taxa de câmbio”, afirma.
Os alimentos voltaram a registrar forte alta no Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de novembro, com variação de 0,90% no mês, ante 0,05% em outubro. Os produtos alimentícios foram responsáveis, sozinhos, por 0,20 ponto porcentual, ou 42% da taxa mensal.
A alta dos alimentos foi influenciada especialmente pelo item carnes, que aumentou 4,52% e registrou a maior contribuição individual, de 0,10 ponto porcentual, para o IPCA-15 no mês.
Ontem, o IBGE divulgou a Pesquisa Pecuária Municipal, com dados sobre o rebanho brasileiro em 2007. Segundo o relatório divulgado pelo instituto, o ano de 2007 foi um ano bom para a pecuária bovina quando se avalia o preço do produto final (carnes) posto no mercado. A demanda aquecida e a oferta restrita, interna e externamente, de proteína animal, manteve os preços da carne elevados, registrando-se valores recordes nos preços pagos aos produtores. No segundo semestre no entanto, a elevação do preço de insumos básicos da produção animal causou uma maior pressão sobre os custos de produção e a lucratividade dos pecuaristas.
“A descapitalização dos produtores em 2006 levou a desinvestimentos na produção de bovinos que podem ter refletido na redução do rebanho apurado pela Pesquisa da Pecuária Municipal – PPM 2007, quando comparada com a do ano anterior. O abate de matrizes observado nos últimos anos resultou em uma menor oferta de boi gordo aos frigoríficos, sustentando os preços elevados”, apontou o estudo.
O IBGE ainda ressaltou que “o ano de 2007 foi marcado também pelas fusões e aquisições de grandes empresas frigoríficas, buscando ganhos de escala e competitividade, e que trarão reflexos na pecuária nos municípios onde estão localizadas as unidades industriais”.
O efetivo de bovinos para o ano de 2007, segundo a PPM, foi de 199,752 milhões de cabeças. Tal número representa redução do rebanho comparativamente ao ano anterior, de cerca de 3,0%.
Tabela 2. Efetivo de bovinos em 31/12, variação absoluta e relativa, segundo as Unidades da Federação, em ordem decrescente – 2006-2007

O principal efetivo de bovinos encontra-se, segundo a PPM 2007, nos Estados de Mato Grosso (12,9%), Minas Gerais (11,3%) e Mato Grosso do Sul (10,9%). Destaca-se a troca de posição entre o segundo e o terceiro maiores efetivos comparativamente ao ano de 2006. O Mato Grosso do Sul vem perdendo efetivos nos últimos três anos de análise da pesquisa, podendo ser um reflexo da concorrência de áreas entre agricultura e a pecuária.
A maioria dos estados apresentou redução do efetivo de bovinos em 2007 comparativamente ao ano anterior, exceto Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Distrito Federal.
No mercado físico, os negócios seguiram em ritmo lento. Na semana passada os grandes frigoríficos conseguiram comprar um volume maior de animais e alongaram as escalas que na maioria das regiões permanecem completas até o final da semana que vem. Com maior tranquilidade para montar suas programações de abate muitos compradores iniciaram a semana fora do mercado ou pressionando por recuos nos preços da arroba, mas poucas compras foram efetivadas nesses preços.
Apesar das escalas terem andado um pouco, a oferta de animais ainda é restrita e deve continuar assim nos próximos dias já que o final dos lotes comprados a termo e os últimos animais de confinamento já estão indo para o abate.
Nesse momento o rumo dos preços da arroba deve ser ditado pelo consumo. As indústrias comentam que o consumo está fraco e que mesmo com abate reduzido a relação entre oferta e demanda segue equilibrada. Não podemos esquecer que na semana que vem começa o mês de dezembro, com ele vem o 13º e as festas de final de ano e provavelmente o consumo deve melhorar, dando sustentação aos preços da arroba e evitando quedas muito bruscas.
Segundo o Boletim Intercarnes, o atacado segue aparentemente mais estável no tocante a preços, ainda que seja observada pretensão de baixa pelos compradores. Os negócios seguem com volumes regulares e a procura ainda é lenta, somente com algumas especulações por parte dos compradores, visando posicionamento para a próxima semana.
O traseiro foi cotado a R$ 6,80, o dianteiro a R$ 4,20 e a ponta de agulha a R$ 4,40. O equivalente físico foi calculado em R$ 82,11/@, recuo de 4,18% na semana. O spread (diferença) entre indicador de boi gordo e equivalente está em R$ 5,48/@.
Tabela 3. Cotações do atacado da carne bovina

Gráfico 2. Spread entre indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista e equivalente físico

A BM&FBovespa fechou em alta nesta quarta-feira, apenas com os contratos para novembro/08 (R$ 87,86/@) e maio/09 (R$ 83,50/@) apresentando variação negativa. No acumulado da semana o primeiro vencimento, novembro/08 – que será liquidado nesta semana -, teve desvalorização de R$ 0,94. Os contratos com vencimento para dezembro/08 fecharam a R$ 87,22/@, com recuo de R$ 0,79 na semana. Janeiro/09 apresentou uma valorização semanal de +R$ 0,10, fechando a R$ 86,57/@.
Gráfico 3. Indicador Esalq/BM&FBovespa e contratos futuros de boi gordo (valores à vista), em 19/11/08 e 26/11/08

O indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro MS à vista foi cotado a R$ 695,87/cabeça, um recuo de 0,88% (R$ 3,59) na semana. Em relação ao mesmo período do mês de outubro a desvalorização é de 2,75%. Apesar da queda no preço do bezerro a relação de troca também recuou, ficando em 1:2,08.
Agentes do mercado comentam que a reposição esfriou, principalmente, devido aos recuos nos preços do boi gordo, atraso das chuvas e algumas regiões e incertezas para o início de 2009. Manoel Torres Filho, de Tupi Paulista/SP, informa que na sua região o bezerro desmamado está sendo negociado a R$ 630,00.
O leitor do BeefPoint, Marcos Francisco Peres, cometa que em Barra do Garças/MT, os preços do gado de reposição estão em forte queda. “Já se fala em bezerro nelore bom a R$ 550,00 ou menos” completa.
Rodrigo Crespo, da Casarão Remates, comenta que no RS o mercado de reposição está ajustado, já com algumas reduções de valores em algumas categorias. “Na região sul do estado, onde atuo, basicamente a falta de chuva é o grande referencial para este quadro. As baixas mais acentuadas são observadas em categorias de animais jovens (terneiros, terneiras, novilhas 1 e 2 anos ). Por exemplo, terneiros estão valendo R$ 2,60 a 2,70/kg vivo e já esteve a R$ 3,00 – 3,10″.
Também do Rio Grande do Sul, na região de São Gabriel, o leitor do BeefPoint José Luiz Bicca Heineck, comenta que os terneiros estão cotados a R$ 2,70/ kg vivo, para pagamento à vista. E machos mais erados, com 320 kg, são negociados a R$ 2,40/kg vivo, nas mesmas condições de prazo.
Como está o mercado do boi gordo e reposição em sua região, em relação a preços, oferta e demanda e número de negócios efetivados? Por favor utilize o box de “cartas do leitor”, abaixo para nos enviar comentários sobre o mercado.
