Grife de carnes vende peças de animais criados em “spa bovino”

beefpassionlm16-jpgFoto: Leo Martins

No açougue “superpremium”  Beef Passion, em Higienópolis, São Paulo, 1 quilo de picanha custa até 240 reais, cinco vezes acima da média de mercado. Até o popular acém custa caro – um naco custa 140 reais.

Aos 29 anos, a proprietária do loca, Amalia Sechis foge do estereótipo do apreciador de um bom bife. Principalmente porque, até poucos anos atrás, era uma vegetariana convicta.

Filha do pecuarista Antônio Ricardo Sechis, ela passou quase uma década sem comer carne, a partir dos 14 anos. Trabalhar na área de carnes era algo impensável. Em 2006, no entanto, tomou coragem e visitou a criação da família pela primeira vez. Encantada pelo negócio, voltou a abocanhar filés e, algum tempo depois, juntou-se aos irmãos, Julia, 27, e Ricardo, 20, para criar a grife Beef Passion.

beefpassionlm38-jpgFoto: Leo Martins

O primeiro ponto de venda foi o Empório Santa Maria, no Itaim, em 2009. Dali, expandiu para outros locais e dobrou a distribuição nos últimos dois anos. Hoje são 120 endereços no país, com cinquenta em São Paulo. A marca ampliou sua rede na esteira do crescimento do setor de açougues gourmets na capital.

Ao longo dos últimos anos, conquistou uma boa quantidade de clientes badalados. Entre eles estão as casas de Alex Atala, como D.O.M, Dalva e Dito e Açougue Central.  Outros fregueses na capital são o Sal Gastronomia, de Henrique Fogaça, e os hotéis Unique e Fasano.

Aberta em 2011, a loja própria é hoje responsável por um terço do faturamento da empresa, que será de 7,2 milhões de reais em 2016 (50% maior que o de 2015). Amalia trabalha agora em uma ampliação. Na metade do ano que vem, deve inaugurar um restaurante em seu espaço em Higienópolis. Além disso, planeja abrir outros pontos próprios, no Itaim e na Vila Olímpia, e acertar parcerias para levar suas peças para países como Estados Unidos, Portugal e Singapura.

A marca recebe matéria-prima de quatro fazendas. Uma das principais é a Recanto Vó Cidinha, em Nhandeara — cidade natal de Amalia, na região de São José do Rio Preto, a 511 quilômetros da capital —, onde os currais de engorda são estampados com a placa “Spa Bovino”. Por ali, alto-falantes reproduzem música clássica e nebulizadores aspergem água para refrescar os animais. Para socializar, o rebanho “joga bola” pelo menos uma vez por semana.

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O abate ocorre em Ipuã, a 412 quilômetros da capital, com um tiro de ar comprimido na testa, método aplicado durante a madrugada para reduzir o estresse dos bichos. O resultado é uma carne com pouca gordura saturada.

“Eles têm uma vida de regalias, não enfrentam doenças e morrem sem sofrer”, afirma Amalia. O processo levou a Beef Passion a receber o prêmio de empresa campeã em sustentabilidade da ONG americana Rainforest Alliance, que será entregue em cerimônia em maio de 2017, em Nova York. “Ninguém cria um boi como a gente”, garante a empresária.

Fonte: Veja São Paulo, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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