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Liberação de beta-agonista para bovinos gera apreensão para exportadores

Festejado pelos pecuaristas e pela MSD Saúde Animal, unidade veterinária da farmacêutica americana Merck, a recente liberação no Brasil de um melhorador de desempenho para bovinos deve por à prova a credibilidade do sistema de rastreabilidade bovina do país.

Proibido na União Europeia, a aprovação de um aditivo da classe dos beta-agonistas (cloridrato de zilpaterol) vem atender à demanda por novas tecnologias que ampliem a produtividade da pecuária nacional, mas não sem suscitar inquietação. Ainda não está clara qual será a reação do cobiçado mercado europeu que, entre outras medidas, exige a rastreabilidade do gado bovino desde a desmama e veta indutores de crescimento como beta-agonistas, anabolizantes e hormônios – os dois últimos, proibidos no Brasil.

Na avaliação do diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, o país reúne as condições necessárias para segregar a produção de carne bovina de acordo com as exigências de cada um de seus clientes. “A produção segregada já existe. O que vamos deixar claro é que o uso desse produto não é permitido na Europa”, explicou ele, citando o Sistema de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), que garante a rastreabilidade dos animais.

“Acredito que a classe de produtores brasileira está madura para segregar a produção”, concorda o presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Vilson Simon que, no entanto, acredita que a utilização dos beta-agonistas levará a uma maior fiscalização dos europeus. “Decerto, eles vão tentar achar mais motivos para endurecer”, reconhece Simon.

Apesar da expectativa otimista, Sampaio alerta para o risco de serem encontrados resíduos de cloridrato de zilpaterol na carne exportada para o bloco europeu, tanto para os frigoríficos quanto para os pecuaristas. “Quem vai ser punido é o exportador, mas a rastreabilidade permite que a indústria encontre o produtor responsável”, assegura o dirigente.

Do lado da indústria veterinária, as perspectivas são promissoras. Detentora da tecnologia, a MSD pretende abocanhar 25% – cerca de 1 milhão de cabeças – do mercado de animais confinados já neste ano. O produto é utilizado durante um período de 20 a 40 dias, na fase de terminação dos animais.

Simon afirma que o significativo volume de vendas esperado pela companhia tem como base o incremento de produtividade entre 10% e 15%, ou uma arroba, no peso do animal pronto para o abate. O potencial do novo produto, inclusive, faz com que o setor minimize eventuais problemas com a Europa. “Não poderíamos virar as costas para uma ferramenta de tecnologia que traz ganhos ao produtor para atender apenas um cliente”, diz Sampaio. “Exportamos para cerca de 150 países e a Europa é só mais um mercado”, reforça Simon.

Fonte: jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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