Carnes: consumo e produção mundial desaceleram

Durante a última década, o consumo global de carnes tendeu a aumentar dramaticamente e a produção aumentou proporcionalmente para suprir a demanda. Porém, essa taxa desacelerou durante os últimos dois anos à medida que oferta menor e preços maiores prejudicaram a demanda por carnes, de acordo com um novo relatório do Worldwatch Institute.

Desde 2001, de acordo com o relatório, a produção de carnes cresceu 20% em todo o mundo. Na última década, a produção cresceu quase 26% na Ásia, 28% na África e 32% na América do Sul.

Desde 1995, o consumo per capita global de carnes aumentou 15%. O consumo de carnes cresceu ainda mais rápido nos países em desenvolvimento, com 25% de aumento durante o mesmo período. Entretanto, a taxa de aumento no consumo global de carnes desacelerou para 0,8% em 2011 e o relatório projetou um crescimento de cerca de 1,7% durante 2012. Em 2010, a produção de carnes cresceu 2,6% comparado com 2009. A seca, os altos preços dos alimentos animais e as doenças veterinárias em algumas partes do mundo contribuíram para as menores taxas de produção.

O consumo per capita global de carnes caiu levemente em 2011, de 42,5 quilos por pessoa em 2010 para 42,3 quilos. De acordo com o relatório, uma pessoa média nos países em desenvolvimento consumiu 32,3 quilos de carne em 2011, enquanto nos países industrializados, as pessoas consumiram 78,9 quilos em média. O consumo de carnes deverá se recuperar aos níveis de 2010 ao final de 2012, com o consumo per capita em países industriais caindo para 78,4 quilos e o consumo nos países em desenvolvimento aumentando para 32,8 quilos.

A carne suína foi a mais popular em 2011, representando 37% da produção de carne e do consumo, ficando em 109 milhões de toneladas. Essa foi seguida de perto pela carne de frango, com 101 milhões de toneladas produzidas. A produção de carne suína caiu em 0,8% a partir de 2010, enquanto a de carne de frango aumentou em 3%, tornando mais provável que o frango se torne a carne mais produzida nos próximos anos. A produção de carne bovina e ovina estagnou entre 2010 e 2011, em 67 milhões e 13 milhões de toneladas, respectivamente.

A produção global de carnes aumentou para 297 milhões de toneladas em 2011, um aumento de 0,8% com relação a 2010. Até o final de 2012, a produção de carnes deverá alcançar 302 milhões de toneladas, um aumento de 1,6% com relação a 2011. Essas são taxas relativamente baixas de crescimento comparado com os anos anteriores: em 2010, a produção de carnes aumentou em 2,6%, e desde 2001, a produção aumentou em 20%. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a seca recorde no Meio-Oeste Americano, as ocorrências de doenças e os crescentes preços dos alimentos animais em 2011 e 2012 contribuíram para reduzir os aumentos na produção. Desastres naturais no Japão e no Paquistão também reduziram a produção e prejudicaram o comércio.

O relatório de setembro do Rabobank também projetou maiores preços globais da carne e menor consumo, especialmente nos países em desenvolvimento, à medida que a oferta se estreita. Os maiores preços das carnes e dos lácteos têm consequências globais, de acordo com esse relatório, mas o impacto é menor do que quando o preço aumenta para grãos básicos nos países em desenvolvimento. Isso porque, em grande parte do mundo, a demanda por proteínas animais é mais “elástica” do que nos Estados Unidos. Se o preço aumentar muito, os consumidores simplesmente mudam para mais alimentos de origem vegetal. A elasticidade da demanda por carnes tende a ser maior na África, partes da Ásia e América do Sul, e moderada nos Estados Unidos e na maioria de nossas principais nações consumidoras para as exportações de carne bovina norte-americana, como Japão e Coreia do Sul.

A reportagem é da Drovers, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.


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