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Acompanhamento de abate: a opinião de quem usa

Como ainda não há um padrão brasileiro de toalete e até pesagem, um serviço que vem sendo utilizado por alguns pecuaritas é o acompanhamento técnico e profissional de abates. A ideia é ter a supervisão de profissionais especializados durante a matança, pois apenas a presença física na planta frigorífica durante o abate não melhora ou garante nada. As empresas que atuam nesta área sugerem que só uma pessoa capacitada será capaz de avaliar e principalmente discutir os critérios a serem adotados.

Esse acompanhamento também pode ajudar a medir os resultados do pecuarista: por exemplo, o rendimento de carcaça desse lote (ou desse ano) foi melhor ou pior que o anterior. O que influenciou nesse resultado? O que pode ser mudado/melhorado?

No início do ano fizemos uma enquete entre os leitores do BeefPoint com o intuito de saber o que nossa Comunidade pensa sobre o assunto. Na época a pergunta em questão era: Você contrata serviços de acompanhamento de abate? Quais os motivos para usar ou não usar esse tipo de serviço? Veja algumas das contribuições enviadas:

“Eu contrato este serviço pago R$1,00 por cabeça e fico mais tranquilo, pois o pessoal é especializado, tem até ex funcionários aposentados do frigorífico, que cobram uma sangria menos agressiva. Já estive na sala de desossa e tem muita irregularidade, talvez pela inexperiência ou pelo cansaço dos funcionários”. Abio Junqueira, Goiânia/GO.

“Custa caro? Quanto custa? Puxa, dá prá fazer um precinho melhor? Não quero entrar no mérito da questão dos honorários dos nobres colegas que realizam este tipo de serviço. Quero comentar o importante trabalho que estes realizam. Produtor, pense como um investimento, pois como foi brilhantemente levantada a questão pela BeefPoint, você usando destes profissionais, você estará melhorando seus resultados ao começar a comparar os rendimentos de terminação, comparar o investimento feito na engorda e o real retorno do mesmo, enfim, você terá a correta terminação do seu investimento e terá nortes claros de onde terá que melhorar ou não. O profissional altamente gabaritado para tal, chega ao ponto de, supondo que uma matança esteja sendo “limpa” demais, mandar parar a matança e ir discutir de igual para igual o rendimento e onde estão limpando “a mais”, fazendo total resguardo do patrimônio do pecuarista. Comece a sopesar na sua balança monetária o quanto lhe retornará ter um “olho” seu dentro da matança e um cérebro para defender o seu bolso! Pense nisto como investimento e não como gasto”. Wilhelm Leidemmann Voss, Bauru/SP

“O acompanhamento de matança pode ser uma boa ferramenta para o pecuarista e também para o frigorífico. Frigoríficos idôneos não tem nada a perder, pelo contrário, só a ganhar, afirmando cada vez mais a sua seriedade e comprometimento com o pecuarista-fornecedor. Vale a pena lembrar que para se ter um rendimento real é preciso pesar os animais corretamente na fazenda respeitando o jejum, pois sem isso, tem-se um falso rendimento e a culpa é sempre do frigorífico”. Gustavo Costa Tiveron, Palmeiras de Goiás/GO

“Acompanhamento se faz para evitar roubos na toalete e na balança, este último bem mais difícil de coibir. Coibir roubo na toalete é mais fácil, embora isso exija inspetores com amplo conhecimento prático do serviço de limpeza de uma carcaça. Pecuarista que não tomar suas precauções pode sofrer com uma sangria mal feita (que acarreta maior perda de carne), ficar sem muita gordura de cobertura numa esfola começada por faqueiros preguiçosos, e receber nas carcaças de seu gado a chamada “toalete padrão”, com a remoção em excesso da nobre gordura de cobertura. Pode ainda ficar sem peças como pacuzinho, matambre, fitão, aranha, e (pasmem) até mesmo sem cupim. Só isso já paga amplamente os honorários de grupos como a Abate Consultoria, de Goiânia, e o Escritório do Fausto, de Rio Verde (GO).

Tenho notado uma elevação no padrão ético das pesagens. Vacada Nelore de 14,5 arrobas tem dado mais de 51% de rendimento, peso antes de beber, mas de bucho cheio. Isso eu nunca havia visto. Este é um ponto ao qual os pequenos frigoríficos precisam dar muita atenção, ao invés de ficarem se deblaterando contra empréstimos do BNDES. A moralização desta questão da balança (mas não necessariamente da toalete num abate desassistido) tem partido dos médios e dos grandões, que sabem que não podem vacilar na manutenção de uma boa imagem pública. Afinal – pensará o consumidor -, quem é ladrão vai manter bons padrões de higiene, qualidade de matéria prima e de ética nas relações de trabalho e proteção do meio ambiente?

Se é mais fácil coibir roubo na toalete, bem difícil é evitar pagar mico quando se reclama de pesagem. O pecuarista precisa fazer sua lição de casa muito bem feita e construir seu banco de dados. Precisa ter noção muito precisa da variação do rendimento com o acabamento e raça. Mais pesado, mais rende. Mais anelorado, mais rende, com exceção das cruzas com raças de musculatura dupla.

É surpreendente que a CNA não patrocine estudos tão baratos e economicamente tão impactantes quanto estes de rendimento no abate em função de horário de pesagem, tempo de caminhão, tempo de descanso no curral de abate, raça, sexo. A Kátia Abreu bem que podia dar atenção a esta questão, tão básica e tão esquecida”. Humberto de Freitas Tavares,
Ribeirão Preto/SP.

“Por muito tempo contratei pessoas para acompanhamento. Nunca encontrei alguém que justificasse o custo. Hoje procuro vender somente para frigorífico que considero mais confiável e faço o acompanhamento de rendimento de carcaça pesando os bois na fazenda e comparando com o peso do frigorífico. O que se nota que todos os frigoríficos passaram a “limpar” mais as carcaças, derrubando o rendimento que era de 54% para algo em torno de 52%”. Lauro Klas Junior, Curitiba/PR.

“Nunca utilizei serviço de terceiros, porém não deixo de assistir nenhum abate. É importantíssimo que alguém acompanhe o abate, muitas vezes apenas o fato de estar lá olhando já faz diferença no rendimento”. Rafael Henrique Ruzzon, Campo Grande/MS.

“O termo assessoria gera um significado maior na questão de acompanhamento de abate, temos a função de corrigir os chamados gargalos por onde saem os lucros dos pecuaristas. Produzimos juntamente com nossos parceiros ferramentas a nossos clientes para que os mesmos possam saber exatamente o que estão vendendo aos frigoríficos, fazemos os chamados FEED-BACKS, voltando o processo no início para descobrirmos onde estão os erros. Existem dezenas de fatores ligados diretamente a um bom rendimento de carcaça, animais bem apartados, bem pesados, bem manejados, abolindo gritos, choques e pancadaria dentro ou fora dos currais de embarque, a dieta de embarque, a caracterização dos animais, ao acabamento de gordura, o transporte e principalmente ao descanso e a dieta hídrica nos currais de abate. Os frigoríficos não tem interesse em adquirir animais machucados ou até mesmo mal vacinados, que é onde mora um dos vilões, animais vacinados em locais errados gerando hematomas e caroços que chegam a pesar quilos. Deve-se sim corrigir o processo dentro da propriedade porque no frigorífico fica então mais difícil. Aos assessores em abate resta cuidar com carinho, com ética e principalmente com capacitação absorvendo todos os dados possíveis dos animais e também do próprio frigorífico e repassando aos pecuaristas. Melhores animais, melhores processos, melhores medicamentos, melhores funcionários, melhores currais, melhores manejos, tudo acompanhado de assessores em abate pode trazer excelentes resultados em abate”. Fernando de Oliveira Nunes, Goiânia/GO

“O acompanhamento do abate é muito importante, tanto por um profissional e pelo próprio pecuarista, agora oque realmente nós precisaríamos é através do legislativo federal criarmos uma lei de padronização do toalete, e o mesmo fiscal do MAPA faria a fiscalização. Quando o abate fosse acompanhado por um profissional ou pelo pecuarista, este estaria ali para arbitrar qualquer dúvida. E assim o programa das balanças dos produtores realmente seria eficaz”. Mario Wolf Filho, Nova Canaã do Norte/MT.

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