Hoje, sou 100% José BRASIL – por André Bartocci

Por André Bartocci, pecuarista e formado em Direito. Realiza recria e engorda com Integração Lavoura e Pecuária na Fazenda Nossa Senhora das Graças, em Caarapó – MS.

Quando potentes colhedeiras tiram a soja do campo o produtor chegou à sua meta. Com poucas precauções, seu suor e sua coragem estão pagos. Este herói tem o direito de escolher um armazém idôneo e vender o seu produto ou depositá-lo em silo próprio, para em uma futura oportunidade, transformá-lo em receita.

Um saco de milho pode ser armazenado por 6 meses em um silo, transportado em um caminhão até o porto de Paranaguá, lá se unir a mais 100.000 toneladas em um transatlântico, viajar até a China e esperar mais 6 meses em outro silo até ser moído e consumido por uma galinha, um ano depois de sair da fazenda!

Muito diferente da soja e do milho que têm valor próprio logo que sai da produção, o bovino não tem nenhum valor sem sua irmã siamesa, a indústria.

Se um boi gordo fosse esperar 12 meses e tivesse que viajar milhares de quilômetros para entrar em um mercado como o milho, teríamos que gastar algo próximo a R$3.000,00/cab (365 diárias de confinamento!!) sem agregar nenhum centavo ao seu valor original.

Além disto, bovinos precisam de profundas e complexas intervenções após sair do embarcador para se transformar em dinheiro.

Fregueses do açougue não pedem no balcão “uma carcaça casada”, eles pedem “1 kg de coxão mole moído”. O industrial não compra “10 toneladas de gordura bovina”, ele busca ” 200 litros de glicerina”.

E ainda não surgiu fábricas de sapato que comprem “uma carga de couro verde”; ela busca “20 metros de nobuque e 15 metros de pelica…”.

Portanto, nós, produtores, para transformarmos bovinos em receita, somos totalmente dependentes do elo seguinte: a hipócrita, imoral, insensível, injusta, arrogante e agora corrupta, mas… santa indústria!

Então, o que faz um pecuarista pensar que enfraquecer a indústria que abate algo próximo a 30% do bovino brasileiro não vai afetar sua produção?

E que este movimento não vai afetar o valor daqueles garrotes que estão no pasto da grota?

Ou ainda, o que o leva a acreditar que o preço da desmama, que está pronta no pasto da furna, não vai despencar? Como entender produtores com propagandas e atitudes contra um elo essencial ao seu próprio negócio?

A resposta é: a pecuária sofre de uma incrível falta de sentimento de cadeia.

O ano de 2017 está decidido a ensinar, para os profissionais que ainda não aprenderam, que a pecuária é um trem formado por 4 vagões indivisíveis: produção, indústria, varejo e consumo.

E este ano capcioso insiste em utilizar o caminho da dor para seus sermões: Carne Fraca, Funrural e, para fechar o primeiro semestre, o escândalo JBNDS!

A mensagem é clara: toda vez que o pecuarista deseja mal a um abatedouro, está cometendo um ataque fratricida.

E se o desejo se concretizar, de alguma forma e em alguma dose este prejuízo será sentido no campo.

Se existe um terremoto na economia do Brasil, hoje o seu epicentro está na pecuária de corte. Pensar em liquidez, em segurança, em retorno do capital é totalmente louvável em um ambiente hostil como este.

Por isto, a indústria deve entender que o produtor não vai se expor ao risco, portanto vendas a prazo definitivamente não vão rolar!

Boicotar uma indústria por atitudes imorais que seus marginais gestores cometeram é no mínimo ingênuo por parte de produtores.

Durante 15 anos, a gigante JBS cresceu vertiginosamente diante de nossos olhos. Muito, muito além do que devia. Consumiu milhões em dinheiro público e aplicou em negócios que nem mesmo os mais experientes profissionais da área conseguiam explicar o motivo.

Por exemplo: qual o benefício, para nossa pecuária, de o BNDES financiar um frigorífico na Austrália? Ou por que um frigorífico necessita possuir um banco “tão original”?

Sei que nenhum produtor se beneficiou da arquitetura destes mafiosos que posam de competentes executivos com falso toque de Midas.

Mas, mesmo com várias criticas, todos os produtores conviveram pacificamente endossando tacitamente a megalomania dos criminosos Batista. Dizer agora: “Eu já sabia…” ou “Eu sempre avisei…” é hipocrisia pura.

A JBS chutou o balde. E com força. Pisou muito na bola. Merece o farol vermelho da qualidade e da quantidade! Mas pelo menos sei, parcialmente, em quais bolas ela pisou!

Agora… Onde pisou a indústria M? E a outras indústrias será que não estão pisando na bola neste momento?! Definitivamente, não sei.

Seguindo a lógica do boicote moralista, será que deveríamos evitar rodovias construídas pela Odebretch? Ou não usar energia elétrica originada do monstro da corrupção Belo Monte?

Ou perguntar, antes de abastecer, no posto, se aquela gasolina teve a participação do complexo Eiky-X?!

Se formos evitar tudo que a corrupção tocou no Brasil, imagino que a saída mais viável seja a ponte aérea.

É obsceno o JBS forçar a compra de bovinos com prazo de 30 dias como se nada tivesse acontecido! Demonstra falta de compromisso com o seu fornecedor.

Não faz parte da proposta de parceria que a empresa promete, principalmente em uma época em que as margens estão tão apertadas nas fazendas.

A única explicação para justificar este movimento é:

“O pagamento à vista quebra imediatamente o Friboi.”

Se esta não for a explicação, ela é mais uma atitude desonesta dos delinquentes sobrinhos que, ainda, estão no comando da gigante empresa.

Logicamente compartilho, com todo o país, do sentimento de desprezo com relação a estes canalhas.

Mas, nós, produtores, devemos ter a maturidade de não deixar este sentimento contaminar a pessoa jurídica JBS.

Não posso concordar que todos os profissionais que formam este império estão contaminados por uma cúpula de falsários.

Imagino que do peão do curral ao executivo que está na Europa negociando a carne brasileira, a grande maioria é formada por trabalhadores de boa intenção.

Profissionais que, inclusive, partilham da mesma surpresa e desapontamento com esta quadrilha de desonestos patrões.

Tenho certeza que a parte mais valiosa do império JBS é o seu capital humano. Também penso que ainda resta motivação nestes caras.

E este conjunto precisa ser preservado. A estrutura e as estratégias estão prontas para remeter a empresa deste desastre e fazê-la retomar seu voo cruzeiro.

Esta retomada exigirá concentração no processamento de bovinos, portanto iogurtes, nuggets e eucaliptos devem ser retirados da bagagem para a retomada de estabilidade.

Lógico que, para isto, o antigo comando deve ser totalmente esterilizado eliminando qualquer interferência da família Batista.

A potente aeronave moderna pecuária brasileira é segura. Tem muitos recursos.

Mas imaginar que não corremos sérios riscos ao perder uma das turbinas em uma forte tempestade, formada pela perna de baixa do ciclo da pecuária combinado com baixo consumo, é uma visão míope.

Não acho justo que dois irmãos com ar de gangster e uma máfia do poder estrague boa parte do que construímos nestes últimos 20 anos, que atitudes imorais comprometam a imagem e o desempenho do setor que pode ajudar muito o país neste momento de crise.

Mas penso que um puritanismo exagerado por parte dos produtores pode também colocar em risco conquistas em um momento de boas perspectivas: recuperação da demanda, recentes aberturas de mercados, a saída do player Índia, grande safra de milho…

Quero o melhor para a pecuária do Brasil.

Por isto, quero a punição e o afastamento imediato para alta cúpula criminosa.

Mas não quero abrir mão de uma empresa construída com capital e o conhecimento de brasileiros.

Nós, pecuaristas, fornecedores da matéria-prima, temos um papel importante neste exato momento.

Em nossas mãos, ou nos nossos bois, está o equilíbrio ou a destruição desta empresa.

Preservada a garantia de recebimento, vender é uma decisão pessoal de cada produtor, mas este pode ser um momento de criar oportunidades e construir soluções.

Um momento de evoluir. De participar de forma mais ativa do novo desenho da indústria frigorífica do Brasil.

Que tal colocarmos na mesa de negociação do Friboi, em troca do nosso animal, alguns tabus desta relação?

Como um melhor rendimento de carcaças?

Quem sabe discutir uma forma diferente de classificação?

Ou até rever o papel do boi inteiro?!

Portanto, aproveitar esta crise para melhorar a saúde e evoluir a cadeia de valores da carne pode ter um melhor custo-benefício do que desperdiçá-la indo à forra contra o gigante opressor!

Por isso, hoje sou torcedor da Nova J. Brasil roxo!

Por André Bartocci, pecuarista e formado em Direito. Realiza recria e engorda com Integração Lavoura e Pecuária na Fazenda Nossa Senhora das Graças, em Caarapó – MS.

25 opiniões sobre “Hoje, sou 100% José BRASIL – por André Bartocci”

  • Luciano Simão - 13/06/2017

    Parabéns André excelente texto. Fantástico.

  • Frederico Stecca - 13/06/2017

    Excelente !!! Falou o que estava engasgado em muitos pecuaristas , as palavras lidas pareciam ser as que passavam em meu subconciente
    Parabens André Bartocci .

  • Jair Alves ferreira Junior - 13/06/2017

    Parabéns , sábias palavras e objetivas respostas ao que estamos passando, mais ou menos assim; um barco c um buraco no casco , se formos c cautela e sabedoria poderemos ir tampando e retirando a água em excesso , para que cheguemos a um porto seguro!

  • Walter Magalháes Jr - 14/06/2017

    Primeiramente, queria comprimentar o Andre, pelo artigo escrito e pelo magnífico trabalho que realiza em Caarapó, MS.
    Não obstante aceitar os argumentos do artigo pela sua indiscutível atualidade e visão pessoal dos executivos da empresa nele tratada, discordo totalmente da proposição final de que não devemos perder, por uma questão de preservação do nosso setor, uma das mais importantes turbinas siamesas do nosso setor.
    O fato é que, ao JBS foi dada a oportunidade de criar uma participação significativa no mercado de abate, utilizando-se de métodos condenáveis e contra a lei, os quais, no final, permitiu que criassem um cartel oligopsônico de resultados totalmente desfavorável para os produtores de bois gordos ou para a pecuária como um todo.
    Como lideres do cartel, preconizei que, aos preços estabelecidos na Academia da Carne, se evitassem abater com eles, que, para evitarem problemas de desequilíbrio financeiro, teriam que quebrar a estrutura de controle de preços da arroba, pagando mais. E isso aconteceu, sabemos hoje disso. Ninguem suporta manter um negócio cujas operações estão abaixo do ponto de equilíbrio nem mesmo o JBS.
    Somado a todas ests ações diretas sobre os preços, creiam, aproveitou ainda uma das deficiência metodológicas de levantamento de dados para o cálculo do indicador, informando preços abaixo do mercado.
    Não bastasse estes absurdos apontados, como Garantidor de Preços no mercado futuro, foram os maiores vendedores de boi barato na BM&F, em quantidades inacreditáveis de um em um contrato.
    Foram os piores atores do nosso setor e não acreditem em possibilidade de uma visão de cadeia da carne. Para que tal coisa possa acontecer é necessário que a industria adquira uma orientação mercadológia que ela está longe de alcançar.

  • Sérgio Costa - 14/06/2017

    Comungo totalmente com a opinião e o bem escrito texto,acho que não adianta fazer furos no bom barco em que todos estamos e com rumo certo.
    Não concordamos com o desprezível caráter do comandante; jogamos ele na água e continuamos nossa viagem ,foi muito difícil construir e chegarmos até aqui !

  • Márcia Cardelli - 14/06/2017

    Excelente artigo!

  • Fernando Mustafa - 14/06/2017

    Excelente Artigo!!! Até que enfim, alguem coerente olhando o outro lado da moeda! Para que comprometer uma empresa que empresa 120mil familiais no país?! Para que comprometer toda a cadeia produtiva que cerca o ramo frigorífico, fazendo com que centenas de milhares de familiais fiquem sem emprego, ou seja, milhões de pessoas somadas aos milhões de desempregados no Brasil?!
    Se houve um problema de administração, que isso seja corrigido, e que a empresa pague por isso. Agora, os funcionários não tem culpa!!
    Excelente artigo!!

  • Andre P C Gomes - 14/06/2017

    Não é puritanismo é pragmatismo.

  • BERNARDINO COELHO DA SILVA - 15/06/2017

    Parabéns André pelo excelente artigo. Infelizmente, se quisermos um Brasil melhor para as futuras gerações, vamos ter que penar ainda muito para conseguir purgar todos os pecados de um Brasil que construiu riquezas baseadas em táticas criminosas, de um Brasil que precisa descobrir que o político requer, mais do que bajulação, ele precisa de fiscalização e de um Brasil em que a base da estratégia utilizada para permitir tanta corrupção, foi primeiro, destruir o senso de cidadania, deixando as pessoas reféns dos canalhas de plantão, que vêm na corrupção o modo fácil para progredir, sem precisar demonstrar talentos. Li outro dia uma frase que bem resume isso: “A JBS ganhou algum dinheiro vendendo carne e ficou bilionária comprando políticos”.

  • José Geraldo da Silva Braga - 15/06/2017

    Artigo sensato e, sensatez penso que esta deve ser a atitude do pecuarista, agora. Saber qual atitude o pecuarista deve tomar depende da situação financeira de cada um. Vender e entregar ou não, por um preço justo ou não, à vista ou a prazo depende totalmente disso, da situação financeira momentânea de cada pecuarista.

  • Fernando Costabeber - 15/06/2017

    Clarividência e síntese neste excelente trabalho, André.
    Como todo mercado, o nosso é regido pelo princípio dos vasos comunicantes e todos estamos pagando pelo uso indevido do dinheiro público.
    Aqui no Rio Grande, mesmo não tendo nenhuma indústria JBS, estamos recebendo uma avalanche de carne barata com seus reflexos no preço do boi gaúcho.
    A indústria frigorífica está na essência de nosso negócio, necessita ser forte e lucrativa para também o sermos.
    Estamos numa tempestade, não sabemos quando nem como vai terminar.

  • BAIARD MOREIRA - 15/06/2017

    Bartocci. Como sempre, você toca profundamente na ferida provocada pela atitude inescrupulosa dos irmãos Batista. Foram uma série de fatores que levaram a um grupo, isoladamente, interferir durante anos, no mercado interno da carne. Tudo isso regado a facilidades propostas pelos “ditadores políticos” que sempre tiveram em mente a perpetuação no poder em troca de favores pecuniários. Falo dos inescrupulosos irmão Batista pois passaram por cima de qualquer convenção ética em troca de auto beneficiamento. Neste exato momento, não saberia dizer qual o caminho a trilhar, pois, são centenas de famílias que dependem desse emprego e, centenas de produtores que após anos de dedicação ao trabalho árduo, ficam à mercê de um mercado incerto e sem confiança. Desejo que a justiça possa calar e realmente ser justa e condenar de maneira veemente todas as pessoas que envolvidas diretamente com este terrível episódio que afetou diretamente milhares de pessoas. Não podemos destruir todo o patrimônio conquistado pelos pecuaristas ao longo de anos de labor e sofrimento. Aguardamos ansiosos um desenrolar satisfatório para todos.

  • Josias Henrique ds Santos - 15/06/2017

    Concordo em parte. Ter clemência e complacência de quem e com quem sempre nos subtraiu. Fez o que quis do produtor e com a ajuda do governo? Precisamos de indústrias sérias e comprometidas com o desenvolvimento em toda sua plenitude e não crescer às custas dos indefesos produtores que são reféns de um sistema criado e ingrato que favorece os interesses dos grandes.
    Não concordo Miguel.

  • Marcos Aurélio Dias - 15/06/2017

    concordo , essa é a hora de evoluir.

  • Maria Luisa Botelho Pimentel - 15/06/2017

    Execelente artigo! Concordo com tudo que foi dito! Queria que muitas pessoas tivessem acessso ao pensanento ora colocado, até para aprender como se tem que pensar e agir positivamente nesse momento de crise que o Brasil está passado. Parabéns!

  • Claudio Roberto Pagan - 15/06/2017

    tem toda razão , e por muitos anos fomos sacrifucados por essa turma.

  • Vera - 15/06/2017

    Dificil acreditar que haja boa intenção nos dirigentes desta empresa.
    Vamos sofrer um pouco mas não podemos compactuar negociando com pessoas desonestas, que deram um imenso prejuízo a todos nós .

  • Virginia Junqueira - 15/06/2017

    Muito bom o artigo , só fiquei com a impressão ….se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!
    Não temos opção quanto ao fato de termos que nos submetermos aos frigoríficos, mas apoiarmos estes gângsters de cara limpinha, verdadeiros bandidos delatores e traidores que vão abandonar o Brasil como ratos correndo dos navios , não dá para concordar.
    Deus queira que consigamos salvar o JBS empresa e que seus proprietários sejam bem mal recebidos nos EUA

  • Alcides Jorge Montagna - 15/06/2017

    Parabéns Dr André Bartocci. Falastes tudo e com pé no chão e mostrando o caminho da recuperação.

  • Roges Pias - 16/06/2017

    Bom dia, sou pecuarista e agricultor como muitos dos senhores que comentaram o texto. Gostaria de mencionar que também o milho em parte, e principalmente a soja precisam da indústria. O grão de soja em si não tem valor, é o desdobramento de seus subprodutos que formam o seu preço (farelo de soja, óleo e outros). Então não vamos nos fazer de vítimas quanto ao caso do JBS. Erramos feio ao não questionar volume inaceitável de dinheiro público para financiar uma empresa só, em detrimento de inúmeros pequenos e médios frigoríficos que acabaram sucumbindo por não conseguir concorrer em uma clara concorrência desleal. Não é porque precisamos da indústria que vamos aceitar a canalhice que foi erguida em cima da JBS, sei que há regiões onde a única empresa processadora é ela, e este é o problema, vamos ficar dependendo de uma única empresa até quando???

  • Ronaldo Rogoni Bononi - 16/06/2017

    Muito bom artigo, faço a produção de soja, milho e boi; e como foi escrito sobre soja, teríamos que pensar em todos os frigoríficos fechados e parados como a peça principal da máquina do monopólio; aonde se acabou com a concorrência de preços pagos pela carne. Não se pode falar de transporte de R$3000, se a maioria da carne brasileira é consumida pelos brasileiros. Aqui no matogrosso, a carne de uma reis percorre 2000 a 3000 km até os consumidores com um custo de uma @. Com a reabertura dos frigoríficos, e a mobilização dos pecuaristas em cooperativas de venda resultará em uma operação mais justa.

  • Bruno Junqueira de Andrade - 16/06/2017

    Nunca vi nem ouvi falar de pecuarista que realmente vive da pecuária boicotar Frigorifico. Nao posso ser moralista, vivo desse negócio, preciso por comida na minha mesa, mesma coisa na rodovia da Odebretch, não vou deixar de usá-la se preciso dela pra por comida na minha mesa. Segurar boi gordo na fazenda pelo fato do dono do empresa estar sendo processado seria uma atitude absurda, e pecuarista que conhece seu NEGÓCIO não faz isso. Não acredito que isso esteja acontecendo agora. Sei que a grande maioria dos pecuaristas buscam preço e garantia de recebimento, se tiverem isso, irão vender, não importa qual o CNPJ. Não existe romantismo na pecuária de verdade, vende boi gordo compra bezerro, buscando sempre a melhor relação de troca e maior rentabilidade. O que acontece é que o JBS por tudo que está passando, por todas as notícias que chegam até nós, está gerando muita insegurança, quem já ficou sem receber uma boiada, ou conhece alguém que já ficou, sabe do que estou falando, e isso sim faz com que pecuaristas deixem de vender pra um determinado frigorifico, só essa insegurança pode fazer com que segurem animais prontos pro abate. Nós não estamos desejando mal pra maior indústria de carnes, ela que está se fazendo mal, nos deixando inseguros e acabando com o mercado. O culpado aqui é um só. Os pecuaristas nao tem nada a ver com essa palhaçada, e como sempre ainda estão pagando a conta.

  • Teca Carnio - 17/06/2017

    Esta na hora dos pecuaristas se unirem em prol dos mesmos objetivos.Precisamos de mais uniao e força da classe!!!

  • José Eduardo Duenhas Monreal - 17/06/2017

    Parabéns ao André pelo ótimo artigo escrito de maneira clara quando toca em pontos fundamentais da nossa atual situação. Tivemos no mês de maio a maior baixa histórica no preço da @ em 20 anos segundo o CEPEA. Pico de safra, ano bom de chuva, oferta tranquila, e aí aproveitaram para ajustar as margem em cima da pecuária , tirar uma casca/naco , pois no consumidor essa mesma baixa não se refletiu. Jogaram a conta pra cima da pecuária dos eventos carne fraca, jbs e delações super premiadas . Assim não dá , estou indignado, todavia , precisamos de união para buscar maior equilíbrio na cadeia para vencermos o ano, com novos grupos atuando no mercado, associações e muita mas muita discussão para encontrarmos saídas e não sermos mais coniventes com essa situação de monopólio que se implementou .Quanto ao boi confinado , temos reposição boa, preço da diária barateando mas preço da arroba muito abaixo, apertando o pecuarista. Difícil. As boiadas com 550 kg a 600 kg no pasto também não podem esperar … portanto, muita calma nessa hora, com decisões bem pensadas !

  • Anisio M. Kühlkamp - 17/06/2017

    Sábias as palavras do Dr André.
    Não se trata de compactuar com esses criminosos, mas sim restabelecer as forças de um setor inteiro que foi severamente prejudicado com essas falcatruas e com o desviu de foco nos gastos de vultuosas somas que deveriam ter sido revertida em prol da pecuária brasileira.
    Agradeço ao Beef Point pela oportunidade de acesso a este tipo de discussão que nos ajuda a aliviar nossas angústias .

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