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Marco Balsalobre: o confinamento precisa definir sua identidade, por que confinamos nossos animais?

O Prêmio BeefPoint – Edição Confinamento vai homenagear quem faz a diferença nos confinamentos do Brasil. Essa é uma iniciativa do BeefPoint, e tem a Assocon como parceira. A premiação será feita durante o Interconf 2013, evento da Assocon que acontecerá nos dias 9 a 12 de setembro de 2013, em Goiânia/GO e que o BeefPoint está fazendo a curadoria de conteúdo.

Para conhecer melhor os finalistas, o BeefPoint preparou uma série de entrevistas que mostram o que eles têm feito para se destacar na pecuária de corte.

Confira abaixo a entrevista com Marco Balsalobre, um dos finalistas na categoria Nutrição em Confinamento.

Marco Balsalobre

Marco Antonio Alvares Balsalobre é engenheiro agrônomo pela ESALQ/USP (1990) e doutor em ciência animal e pastagens pela ESALQ/USP (2002). Foi consultor em projetos pecuários de produção de leite e corte entre 1991 e 2002. É diretor técnico da Bellman Nutrição Animal desde 2002.

O primeiro confinamento que participou foi em 1987 quando estagiário do departamento de zootecnia da Esalq. A dieta era composta por cana, caroço de algodão, milho, cama-de-frango, ureia e minerais. O volumoso representava 50% da dieta, os ganhos eram moderados, entre 800 e 1.000 g/cabeça/dia.

Nesses anos, algumas coisas mudaram. As dietas atualmente apresentam maior proporção de concentrado. Os técnicos competem entre si para ver quem consegue fazer uma dieta com menor uso de volumoso possível. O bagaço de cana que usamos não é mais o hidrolizado, mas sim o bagaço crú, não usamos mais cama-de-frango (ainda bem que proibiram), no estado de São Paulo o uso de polpa cítrica tomou espaço de outros alimentos energéticos. Nossos bois não são mais castrados, são inteiros, ganham mais peso, mas a carne poderia ser de melhor qualidade. Introduzimos alguns aditivos na dieta e conseguimos manipulá-los, entretanto, os pesquisadores e técnicos são divergentes em alguns deles.

Temos mais experiência para formularmos nossas dietas, exigências de bovinos em nossas condições foram levantadas e tabelas adaptadas, entretanto, nossos confinamentos, na maioria das vezes, não aferem índices zootécnicos básicos. O confinamento, na maioria das vezes, não é tido como uma ferramenta de ajuste de lotação em fazendas, mas sim como um negócio a parte, que muitas vezes não é rentável. A exploração de preços melhores na entressafra está cada vez mais difícil de se realizar. Diante dessas mudanças todas, os princípios da nutrição não foram alterados, trabalhamos com ruminantes, temos que preservar o ambiente ruminal, temos nos esquecido disso.

Atualmente, tenho contato com aproximadamente 300 confinamentos em vários estados do Brasil, em dietas de proporção de concentrado entre 30 e 100%.

BeefPoint: O que você considera mais importante em um confinamento de gado de corte?

Marco Balsalobre: Ao longo do confinamento o mais importante é acompanhar o consumo de matéria seca. Diante de metas estabelecidas de consumo, temos que ter um acompanhamento diário. Qualquer alteração na saúde dos animais, na qualidade dos alimentos, no ambiente, o consumo é o primeiro que se alterará. Esse é o “termômetro do confinamento”.

BeefPoint: Qual o maior desafio dos confinamentos no Brasil hoje?

Marco Balsalobre: O maior desafio é definir sua identidade. Por que confinamos nosso animais? Para ganhar dinheiro? Para produzirmos uma carne de melhor qualidade? Ou como ferramenta de ajuste de lotação? Temos 200 milhões de ha de pastagens e 200 milhões de cabeças!

BeefPoint: Qual projeto de confinamento você teve contato ou implementou nestes últimos anos, que considera um case de sucesso? Por quê?

Marco Balsalobre: Não me sentiria a vontade para indicar um confinamento. Todos os confinamentos que fizeram parte de um projeto e esse foi usado como ferramenta de auxílio de manejo, para ajuste de lotação, para melhoria da rentabilidade da fazenda, ou por exigência de mercado, no sentido de ter uma carne de melhor qualidade, mas ao mesmo tempo, maior rendimento de carcaça, são bons exemplos de confinamento de sucesso no Brasil. Em outras palavras, um bom confinamento necessariamente está inserido em uma fazenda bem manejada e administrada.

BeefPoint: O que você fez em 2012 que te trouxe mais resultados?

Marco Balsalobre: Introduzimos a ideia do confinamento expresso em 2010. O confinamento expresso é o confinamento feito a pasto com alta proporção de concentrado. O custo de implantação é muito baixo e não temos a necessidade de manejarmos volumosos. O consumo de forragem pelos animais é da ordem de 2 kg de matéria seca por dia, desse modo, onde se colocaria 2 animais/ha é possível alojarmos 10. É uma tecnologia inclusiva e democrática, dá espaço para qualquer fazenda realizar uma engorda de animais com altos ganhos, bom rendimento de carcaça e melhor qualidade da carne. Em 2012, ratificamos essa tecnologia em maiores escalas.

BeefPoint: O que você pretende fazer de diferente em 2013? E por quê?

Marco Balsalobre: Aumentar a informatização em confinamentos. Porque precisamos de dados levantados no campo com melhor qualidade para definirmos os rumos da pesquisa no sentido de termos melhores conversões alimentares e maior rentabilidade em nossos confinamentos.

BeefPoint: Qual mensagem gostaria de deixar para os confinadores no Brasil?

Marco Balsalobre: Viveremos, daqui em diante períodos de maiores preços de alimentos?! É possível que tenhamos que repensar em dietas de maior proporção de volumosos. Que volumoso? Como o produziremos? Como manejar grandes confinamentos com volumoso em maior proporção? Dietas com bagaço crú apresentam bons resultados quando usado entre 10 e 15%, esse volumo nos remete para dietas de alto concentrado. Para pensar…

Confira a Programação do Interconf 2013

Lembramos que todos os finalistas do prêmio são convidados vip cortesia do Interconf 2013.

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