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Plantio direto de pastagens

O plantio direto é uma alternativa de estabelecimento de pastagem para áreas onde anteriormente ocorreu a introdução de gramíneas para pastejo. Trata-se de uma alternativa para a troca de pastagens sem a necessidade do preparo de solo, seguindo o mesmo princípio do plantio direto de grãos.

Este tipo de plantio adequa-se mais para as situações onde já se conseguiu explorar o potencial máximo de uma determinada forragem e, para se alcançar maior produção, será necessária a introdução de uma forragem mais produtiva. Exemplo: troca de uma Brachiaria por um Panicun.

As principais vantagens desta metodologia seriam: agilidade, menor necessidade de implementos (preparo de solo) e menor erodibilidade do solo durante o processo.

Para a realização deste tipo de plantio, com vistas à intensificação da pastagem, são necessários:

  • solo corrigido e fértil;
  • área livre de pedras, erosões, tocos e troncos caídos;
  • área com baixa infestação de plantas daninhas, sobretudo as do tipo lenhosa;
  • promoção de adequada cobertura do solo com a palhada;
  • utilização de herbicidas (pulverizador).

Desta forma, a seqüência de operações é a seguinte:

  • adequação da massa de forragem;
  • controle químico das plantas presentes (forragens e invasoras);
  • semeadura com máquina de plantio direto.

A adequação da massa de forragem é realizada através do pastejo, preferencialmente, ou de roçadoras, em último caso, a fim de possibilitar a melhor ação do herbicida que virá a seguir (Figura 01). A idéia é estimular o perfilhamento das plantas de forragem presentes, produzindo um número maior de folhas em relação aos talos, em especial em pastagem de Panicuns, situação na qual a planta forrageira estaria mais susceptível à ação de defensivos químicos; permitir o crescimento de pelo menos 30 cm seria o ideal neste caso, o que promoveria uma boa cobertura do solo.

O controle químico se dá através da aplicação de herbicida de contato ou sistêmico, ambos não seletivos, tais como os produtos à base de glifosato e paraquat, por exemplo (Figura 02). As dosagens irão variar de acordo com o tipo e o volume de plantas pré-existentes. No entanto, dosagens em torno de 4 a 5 litros do produto por hectare são as mais usuais.


Após a ocorrência do efeito do produto químico utilizado (Figura 03), que irá acontecer de 30 a 60 dias após a aplicação, dependendo do tipo e volume de plantas que se pretende controlar, faz-se a semeadura através de máquinas de plantio direto (Figura 04).

O espaçamento entrelinhas ideal é de 20 a 30 cm. Este tipo de medida só é possível, porém, com o uso de semeadoras para sementes miúdas, comumente utilizadas para o plantio de aveia, azevém, trigo, centeio, etc., implemento incomum nas regiões onde domina a pecuária. Na falta deste implemento, pode-se apelar para uma semeadora de plantio direto de milho. Neste caso, o espaçamento deve ser de no máximo 40 cm entrelinhas (Figuras 05 e 06). Vale destacar que os melhores resultados são encontrados com espaçamentos de 20 a 30 cm.


As sementes são depositadas e, por conseguinte, semeadas através da caixa de adubo. Uma forma de aumentar a eficiência da semeadura é a adição de fertilizante fosfatado (por exemplo, utilizando-se uma mistura de super fosfato simples (SPS) com a semente).

Como o fósforo é um nutriente de suma importância para o crescimento inicial de plantas forrageiras, o uso de tal forma de semeadura fará com que a fonte fosfatada seja depositada próxima das sementes.


Importante lembrar que a mistura entre estes produtos deve ser utilizada no mesmo dia, a fim de se evitar a desnaturação das sementes pela ação ácida deste fertilizante. A profundidade ideal é a de 0,5 a 1,2 cm para a deposição das sementes.

As fotos (01, 02, 03, 04, 05 e 06) deste artigo foram cedidas pelo Eng. Agr. Ricardo Goulart, Projeto Capim – ESALQ/USP.

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