Agronegócio do boi: “comercialização de animais para abate”

A comercialização de animais para abate envolve o conceito de carcaça, que é o produto final do abate do bovino, descartada cabeça, mocotós, cauda, couro, vísceras e sangue. Portanto, pecuaristas vendem animais vivos e os frigoríficos compram carcaça. Herança da cultura britânica representada pelos primeiros frigoríficos no Brasil, a arroba (medida de peso), representa unidade de 15 kg de carcaça, sendo que boi gordo é definido como um animal com peso igual ou superior a 15 arrobas.

O bovino destinado ao abate é atordoado, sangrado, esfolado, eviscerado e desprovido das extremidades citadas (cabeça, mocotó e cauda). O produto final restante (carcaça) é constituído de massa muscular, estrutura óssea e gordura e é pesada individualmente. O conjunto de carcaças pesadas produz o Romaneio que fornece o total (somatória) de todas as peças referentes aos animais de cada produtor.

Essa pesagem final é convertida em arrobas e o preço a ser pago refere-se à cotação do dia. Normalmente o pagamento é realizado 30 dias depois, aplicando-se um índice deflacionado da ordem de 3% para pagamento a vista. Há diferenças de preços pagos entre a arroba do boi gordo e da vaca, havendo também diferenças locais para cotações de bois inteiros x castrados, rastreados ou não e com diferentes graus de terminação (gordura).

Outra forma de comercialização é a venda combinada, em que o rendimento da carcaça é previamente acordado entre as partes pecuarista x frigorífico (Tabela 1). Somente uma pequena parcela de produtores é agraciada pelos frigoríficos para executar a venda combinada. Esse privilégio explica-se pelo volume, qualidade, disponibilidade dos bovinos produzidos e localização da propriedade. A grande maioria dos produtores, entretanto, realiza a modalidade de comercialização descrita no início desse artigo “venda no gancho”.

Em alguns lugares do Brasil, como o Rio Grande do Sul, a venda se processa por quilograma de peso vivo do animal, ou seja, não se aplica o conceito de arroba. O animal, é portanto avaliado pelo seu peso em kg.

Tabela 1. Rendimentos pré-combinados, em que se aplicam os percentuais sobre o peso vivo do animal

Embora haja distinção de preços entre a arroba da vaca e do boi, em boa parte do Brasil o consumidor adquire carne bovina, sem distinção de sexo, idade ou tipo racial. Honrosas exceções ficam por conta de “boutiques de carne”, gôndolas especiais em supermercados, etc, onde a rotulagem caracteriza o produto de forma mais específica. Em linhas gerais, quanto maior o poder aquisitivo da população, maior é a exigência em qualidade da carne.

21 opiniões sobre “Agronegócio do boi: “comercialização de animais para abate””

  • Andre Pinto Correia Gomes - 28/01/2009

    O engraçado desta historia é que ao mandar abater em Amargosa,Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus o boi de 15,5 @ quebra em torno de 9 Kg. Não existe fiscalização do estado ,resta-nos não vender mais a estas praças.

  • Silvio Guatura Romão - 29/01/2009

    Muito bom. Um artigo suscinto e que descreve com simplicidade e clareza qual é o produto negociado, as bases e formas de negociação.

    Abraços,

  • Silvio Guatura Romão - 29/01/2009

    Aproveito o tema para questionar sôbre a cultura de consumo preferencial de carne de boi em relação a carne de vaca; tendo em vista que hoje vão ao abate machos e femeas com 24 a 36 meses, igualmente com altíssima qualidade.

  • Rubens Mendes Veloso Júnior - 29/01/2009

    Interessante este seu comentário André (Eunápolis/BA). Contudo, infelizmente vocês não são os únicos “privilegiados” com este tipo de acontecimento, estranho não.

    Aqui em Porto Velho/RO acontece a mesma coisa. Conheço um Pecuarista que mandou para um frigorífico daqui (JBS FRIBOI) bois com 18@ ou mais e no romaneio eles pesaram em média 16@. Isso é um absurdo! Porém, quem tem balança na sua fazenda deve tomar cuidado na hora da pesagem para ver se não está desregulada. Não é o meu caso!

    Se bobear todos os frigoríficos no País ou pelo menos a maioria deles tiram uma lasquinha de arroba dos bois que eles compram. E ainda digo mais, muitas vezes trocam bois na porteira de entrada da área de abate, fazendo com que um boi seu de 20@ vire um guachinho de 14@. Sou testemunha ocular de uma quase situação dessas quando fui observar, também neste famoso frigorífico, o abate de bois da nossa fazenda. No momento dos bois entrarem para a área de abate, resolvi ficar no curral do frigorífico para ver qual o objetivo de estarem 7 bois bem magros e estranhos no corredor do curral, bem próximos aos nossos bois. Quem sabe dei sorte naquele momento por estar presente, pois certamente aqueles bois magros iriam entrar no nosso romaneio.

    Isso acontece muito e é extremamente comentado entre pecuaristas por aqui. Vamos abrir o olho para os frigoríficos. Eles já nos pagam uma merreca na @ aqui no Brasil, se comparado ao preço que vendem no exterior e, ainda assim, querem nos passar para trás no peso do nosso produto! Contudo tem um detalhe que não posso deixar de fora: a questão dos 7 bois magros estranhos no curral, antes da entrada para o abate, não sei se é de ciência da administração da FRIBOI local. Ou seja, se isto é armado entre eles ou se é malandragem do pessoal do manejo lá atrás.

    Mas de uma coisa tenho certeza: se é ou não mancomunado entre eles não interessa. O que interessa é que quero ver meus bois que saem com 20@ da fazenda pesarem 20@ no gancho, ou quase isso. E os frigoríficos que se virem para fiscalizar seus funcionários desonestos e regularem assim sua balança da honestidade. Não nós!

    Abraço.

  • eduvaldo bidinoto - 30/01/2009

    O artigo em questão retrata realmente a forma como se comercializa o gado bovino em nosso país, no entanto precisamos avaliar qual o método mais vantajoso para o pecuarista.

    Não estou aqui para defender frigorifico nenhum, pois a grande maioria usa realmente meios obscuros, principalmente contra os médios e pequenos pecuaristas.

    Quanto a parte final do artigo é um absurdo esse tipo de comercialização da carne, pois o consumidor na grande maioria não sabe distinguir a carne de boi da de vaca, no entanto ele paga pelo maior preço, ou seja na cadeia da carne bovina o unico que perde é o pecuarista, porque à ele é imposta uma série de diferenciações tanto de raça, sexo, preço e controle(rastreado ou não) ao passo que o frigorifico compra com todas as restriçoes citadas e vende como trazeiro ou dianteiro e o açougue vende como carne bovina simplesmente, sendo compram carne de vaca e a vendem como carne de boi.

    Em relação ao “”sumiço”” do peso original, nós pecuaristas devemos acompanhar o abate por inteiro, do curral ao romaneio, e como dizemos aqui em SP, ser “zica qualificada”, ser chatos mesmos, já que eles não agem com transparência, então temos que correr atrás.

  • Willian Gouveia Piloni - 31/01/2009

    Pois é pessoal, aqui em Alta Floresta, a preocupação já até deixou de ser se vão roubar no peso ou não, e sim se vamos receber ou não, pois com esta crise teve gente daqui da região que já esta sem dormir a muito tempo, preocupado com o ” atraso” de pagamentos.

  • Paulo Cesar Bastos - 01/02/2009

    Importante, esclarecedor e oportuno artigo. Parabéns.
    Mostra como funcionam o comércio do gado e as unidades desmontadoras de carcaça.

    As crises são os momentos para as oportunidades. A maior parte dos nossos abatedouros, principalmente no Nordeste Brasileiro, são apenas unidades desmontadoras de carcaça que, urgentemente, precisam inovar e ampliar o caminho. Precisamos transformar os simples matadouros frigoríficos, de bovinos e ovinocaprinos, em indústrias de alimentos.

    Inovadas, modernizadas e competitivas as plantas industriais processadoras deixarão de atuar, apenas ,no tripé colonial: carcaça, bucho e couro.

    O mercado externo é importante, mas o mercado interno continua sendo o fiel da balança. O preço é, ainda, o grande inibidor do consumo interno de carne.
    Precisamos diversificar e inovar com produtos de qualidade com preços compatíveis com a renda do consumidor. A melhoria da produtividade industrial refleteria em resultados mais expressivos, possibilitando o pagamento de preços mais justos para o produtor sem repasses inviáveis para o consumidor, esse elo importante e imprescindível para a cadeia produtiva da carne.

    Sem um bom nível de consumo não poderá existir viabilidade na produção.

    Precisamos desenvolver e disseminar a moderna forma negocial do ganha-ganha. Não se constrói nada sozinho. A construção de um novo diálogo entre produtores, abatedores, distribuidores e varejo, com foco no consumidor, é fundamental para a sustentabilidade do agronegócio da carne. Inovar é preciso.

  • Marco Tullio Emilio Fulvio Padovani de Brito - 01/02/2009

    Com relação a pesagem destes animais na fazenda não podemos esquecer do Jejum destes animais. A diferença do rendimento de carcaça pode estar aí.

    E quanto aos animais com pesos inferiores a 15,5@ é incrivel, inevitavelmente eles sempre dão um jeito de desclassificá-los. Infelizmente temos que conviver com estas malandragens.

  • paulo josé passos barreiros - 06/02/2009

    Existem diversos fatores que favorecem o comentário e outros que explicam o fato, da perda ou falta de peso ao abate.

    1- Horário e condições de pesagem na Fazenda.
    2- Tempo entre momento e que prendeu p/ embarque até o abate.
    3- Distância da fazenda ao frigorífico.
    4- Ematomas de transporte, curral e principalmente vacinações (perde bastante na inpeção e limpeza da área afetada).
    5- Frigoríficos e/ou compradores idôneos e fraudulentos.
    6- Tipo ou estado da boiada (gordo ou o que chamamos de inacabado).
    Entre outros…

    Tenho acompanhado uma série de situações que acontecem e observei que, cada caso é um caso.

    Sem dúvidas, o melhor resultado acontece ou a dúvida é esclarecida quando se tem uma acompanhamento até o abate.

    Exemplo:
    Mandei de uma mesma boiada, 2 caminhões num dia e 3 caminhões 3 dias após. As duas vezes fiz questão mandar acompanhar o abate.

    As condições de embarque foram semelhantes (boiada separada num curral no meio da fazenda, indo apenas para o embarque e pesagem apenas os que seguiam viagem no dia, para não mexer e interferir no gado que iria na segunda remessa).

    A pesagem da segunda remessa foi diferente: pegamos no pasto logo após terem bebido água. Visivelmente era uma situação diferente da boiada anterior; tanto que teve 21kg a mais de peso vivo (~10,5kg líquido).

    O transporte da segunda remessa também foi diferente, o que poderia interferir no resultado final. Os 2 caminhões que foram abatidos na quinta, levou 25 horas da separação ao abate. Os 3 caminhões do domingo levaram 33 horas (+ desidratação e processo de homeostase diferente).

    Gado 1 = 16,8@ na fazenda; 17,7@ no gancho
    Gado 2 = 17,6@ na fazenda; 17,4@ no gancho

    É só um exemplo.

    Claro que cada caso é um caso.

  • Emanoel Ramos - 06/02/2009

    Interessante o artigo, como também os comentários. Mas, devemos observar que a premiação em razão da qualidade da carcaça não é aplicada por todos os frigoríficos, principalmente na Bahia, e que um bom percentual das compras de gado são feitas a peso vivo, onde os criadores recebem o pagamento com base em 50% do peso do balanção na propriedade.
    Ademais, existem as perdas de peso do gado durante o transporte da propriedade até os frigoríficos que são estimadas em até 8% do peso vivo. Outro fator é que as fêmeas (vacas) muitas vezes não foram “tocadas” na propriedade para diagnósticco de gestação, como é sabido a placenta, o feto, etc, a depender do período de gestação promovem acréscimo ao peso e muitas vezes o desconto promovido na compra não é o real, podendo tanto o comprador ou o criador ganhar ou perder na transação.

    Os criadores também devem ser esclarecidos que de acordo com a legislação (RIISPOA-Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Origem Animal do Ministério da Agricultura) quando da transformação do boi ou vaca em carne ou carcaça são feitos procedimentos de inspeção onde partes da carcaça com contusão (causada por quedas durante o transporte), abcessos, local da sangria, musculatura da cabeça (masseteres-pterigoides),fraldinha-lombinho (diafragma e pilares), gordura cavitária e perirrenal após inspecionados são retirados das carcaças, e isso também é uma perda em peso, tanto para o criador como para o comprador. Uma das grandes perdas em peso nas carcaças ocorre com a retirada de abcessos vacinais (popular caroço da vacina) e outra também no resfriamento nas câmaras frias, onde ocorrem redução no peso em até 2.5%.

    Portanto, devemos avaliar que o preço pago ou mesmo o rendimento do gado está em função de variáveis diversas, que envolvem não somente o acabamento das carcaças ou mesmo cruzamentos de terminação, mas também aspectos relacionados a sanidade, inspeção, transporte, etc, que com as boas práticas agrícolas teremos um melhor resultado para ambos os lados na comercialização.

  • Jose Antonio de Avila Gimenes - 11/02/2009

    Boa tarde,

    Gostaria de saber dos autores se o peso vivo considerado na tabela 1 é aquele obtido na fazenda , sem jejum, ou aquele da chegada ao frigorifico, geralmente obtido em um balanção, pela diferença de peso do caminhão cheio e vazio.

    Afinal qual é a definição correta para ” rendimento de carcaça”?

    O que se vê na bibliografia, ou seja 53% a 54% para o boi nelore de 17@ de PV, deixa muita duvida, principalmente em função da variabilidade do PV. É preciso então padronizar a conversa. No minimo considerar o jejum e as perdas do transporte.

    Para informação aos colegas, tenho adotado o seguinte criterio para a verificação
    do rendimento:

    PVfaz= boiada pesada cedo no pre-embarque sem jejum

    PVfrig= PVfaz – 6% ( considero 6% para cobrir o transporte e jejum, ou seja num boi de 500KG, são 30 kg de redução de peso).

    Com esse criterio e considerando como Rendimento, o peso da carcaça informado pelo frigorifico dividido pelo peso vivo estimado no frigorifico, tenho obtido um rendimento medio de 53,5%, em boiadas de 16,5@ a 17@ sem jejum.

    O tempo de transporte do gado até o frigorifico é de cerca de 8 hs, e o gado tem sido abatido com cerca de 24 hs pos embarque e algumas vezes com 48hs, e sem diferenças significativas de rendimento.

    Como disse o colega de Salvador, o que coloco aqui é só um exemplo, mas com um criterio definido.

    Gostaria de receber informações de outros pecuaristas para fins de comparação e para melhor entendimento da questão .

  • Rossana Margot Cavaciocchi Correa - 13/02/2009

    Este é um assunto muito oportuno. Aqui no Paraná não temos opção. Infelizmente o pecuarista nada pode argumentar ao comercializar seu gado, quanto à carcaça do animal.

    Ou concordamos com o “comprador”do frigorífico, ou não vendemos a carga. Nem preço de mercado é respeitado. Pagam quanto querem. E, a vista, é pagamento após o abate, na maioria das vezes. Não temos um comércio realmente profissional. Gado rastreado aqui, nada influencia em benefício do pecuarista. Este mercado não existe.

    O único frigorífico que abate para exportação, mesmo negociando o peso do gado carregado na fazenda, após o abate, paga menos arrobas do que as negociadas. Sempre encontra diferenças nas arrobas dos animais mortos (“problemas” nas carcaças), desrespeitando o negócio fechado no peso dos animais vivos, na fazenda.

    Gostaria de salientar que, quanto aos problemas de carcaça oriundos do transporte, do abate ou mesmo do resfriamento nas câmaras frias, nada tem a ver com o preço pago ao pecuarista. Estas perdas já estão calculadas no custo do frigorífico.

    Por isso, aqui, ainda, os negócios fechados com terceiros, negociadores de gado, são muitas vezes mais oportunos. Eles compram seu gado na fazenda, fecham o preço, empenham o cheque à vista e revendem aos frigoríficos. Essa é nossa mais pura realidade de comercialização.

  • Henrique de Freitas Tavares - 14/02/2009

    Será que algum dia teremos o prazer de ter um frigorífico idôneo neste país? A reclamação é geral, de norte a sul do brasil. Também já tive muitas perdas de @ do gado abatido.

    A classe dos pecuaristas é muito desunida. Falta alguém encabeçar um movimento para a construção de um ou vários frigoríficos administrados pelos mesmos para que haja fiscalização adequada. Somos detentores da matéria prima que é o boi e a vaca e não exigimos direitos sobre os frigoríficos. Como diz o Boris Casoy: isto é uma vergonha!

  • João Bignotti - 23/02/2009

    Já passa da hora dos pecuaristas brasileiros se organizarem.

    – Para fiscalizarem os frigoríficos;

    – Fixarem uma marca com padrão de qualidade definido e garantido;

    – Criarem produtos diferenciados e com valor agregado para o consumidor moderno;

    – Marquetearem sua marca e seus produtos; etc., etc,

    Enquanto os pecuaristas não entrarem no séc. XXI vão ficar se afogando nesse mar de lamúrias. Tadinhos!

    Não existe frigorífico bonzinho, existe o negócio da carne. E nos negócios vale a lei da selva: vence o mais forte.

    Vamos criar vergonha pessoal!

  • Miguel Barbar - 27/02/2009

    Eu gostaria de poder dividir esta discussão em três tópicos:

    1) Confiabilidade na pesagem e idoneidade dos Frigoríficos; questão importantíssima mas que pelo conflito que gera deve ser deixada para um forum mais específico,

    2)Metodologia para aferição da pesagem na fazenda e comparativo com o chamado peso morto; uma questão também muito importante que deve ser levada a frente não necessariamente pelos pecuaristas, para mostrar imparcialidade, mas sim pelo pessoal de pesquisa e extensão que ajuda a normatizar e melhorar a pecuaria do Brasil,

    3)Padronização do gado ou pelo menos padronização do acabamento do gado e conhecimento das diferentes qualidades que cada espécie pode fornecer em termos de acabamento para melhor qualidade do gado; esta questão talvez seja a mais extensa pela diversidade do tipo de pecuaria utilizada no Brasil, mas e sem dúvida responsabilidade direta dos pecuaristas, como notei pelas notas feitas no forum acima, todos apresentam experiencia pessoal, interesse em obter melhores resultados, mas ainda se prendem a exemplos pontuais em que tentam traçar um quadro do que acontece.

    Falta pegarmos nossos históricos de vendas, rever pesos (horários, tipo de gado, tempo entre pesagem e abate e uma série de itens já citados) entregarmos ao pessoal que faz pesquisa colocar em uma planilha e começarmos a nos modernizar para podermos enfrentar as dificuldades de comercialização com a mesma desenvoltura que temos dado aos metodos de produção.

    Agora com o banco do Sisbov acho que isto e um passo que tem que ser implementado.

    Um abraço e bons negócios a todos.

  • Ricardo Flores Bagolin - 02/03/2009

    Muito bom o artigo. Bom mesmo.

    Vale lembrar que lá no RS não se negocia o boi em arrobas mas sim em peso, porém o boi é pago pelo rendimento de carcaça, ou seja, pesa-se o gado na fazenda e depois entra o peso de frigorífico e a terceira balança (carcaça quente menos 2% de resfriamento).

    O que quero elucidar com isto? Os frigoríficos pagam pelo quilo vivo estimando um rendimento de carcaça médio de 50%, o que variar para mais ou menos será pago ou descontado.

    Só que o engraçado desta conversa toda é que o pecuarista entrega boi angus, hereford e suas cruzas com zebuínos, novos, castrados ou não e com 6 a 8mm de gordura no olho do lombo e dificilmente vê mais de 52% de rendimento de carcaça fria. Porquê será?

    Conheço estabelecimenos na região da fronteira do RS com a República Oriental do Uruguay que estão abatendo seus novilhos com 14 a 16 meses pesando 460kg (15,33@) em média. Isso feito a campo puro, a pasto e rendimentos de 56 a 60%. Mas claro, são casos isolados.

    Ah, vale lembrar que o peso de arroba de boi vivo é de 30kg se servir como contribuição aos autores.

    Aqui em RO a coisa muda de figura e de certa forma assino embaixo do que o amigo Veloso Junior disse. Cada coisa que se vê nestes abates daqui que até dão medo.

    Sem mais, agradeço a oportunidade de participar.

  • Lauro Klas Junior - 02/03/2009

    Pelo interesse que a matéria despertou é claro que o problema atinge os pecuaristas de norte a sul do país.

    Assim como já temos em muitos frigoríficos a alternativa da pesagem paralela “balança do produtor”, no frigorífico, podemos visualizar um serviço profissional de acompanhamento de matança, já que de nada adianta mandarmos nossos empregados leigos fazerem este acompanhamento.

    Os orgãos da classe, poderiam liderar o aprofundamento da questão, tentando aprovar um padrão para matança que defendesse os interesses do pecuarista, obrigando por exemplo os frigoríficos a pesar, além das duas pranchas, tudo o que foi retirado delas por efeito de machucaduras, abcessos de vacinas, bernes etc. Assim o pecuarista teria informações para aperfeiçoar o seu manejo bem como acompanhar as falhas de transporte.

  • Mário Adriano Ávila Queiroz - 04/03/2009

    Prezado José Antônio de Ávila Gimenes,

    Agradecemos sua participação, assim como a de todos os colegas que fazem parte da pecuária de corte brasileira ao darem continuidade ao tema abordado nesse artigo.

    Essa publicação é um complemento de outro artigo editado nessa sessão do BeefPoint no dia 20/02/2008 sobre o agronegócio do boi. Uma grandiosa ferramenta para fortalecer a cadeia da carne bovina nacional sem dúvida são as trocas de experiências entre os envolvidos no processo. Parabéns a todos.

    A fim de esclarecer, os dados da Tabela 1, o peso vivo considerado é a pesagem em jejum dado na fazenda, com um mínimo de 10 horas consideradas. Como essas fazendas são de confiança irrestrita dos frigoríficos, elimina-se o jejum no pátio e considera-se o jejum no curral da fazenda.

    Em resumo, o fazendeiro prende o gado no final da tarde do dia anterior, pesa-se no momento do embarque pela manhã e aplicam-se os rendimentos pré-acordados conforme Tabela 1.

    Ou seja, não é a tradicional “venda no gancho” em que inúmeros fatores irão influenciar o Romaneio como mencionado por vários leitores.

    O que se deve salientar é a necessidade de aplicar essas variáveis conhecidas na pesagem e acompanhar todo o processo. A definição correta de rendimento de carcaça é o produto final do abate composta por massa muscular, ossos, gordura e aponevroses, onde o animal padronizado como “boi gordo” anelorado jamais terá peso vivo em jejum inferior a 15 @ ou rendimento de carcaça inferior a 52%.

    Espero ter contribuído e me coloco à disposição,

    Mário Adriano

  • Graciela Negreiros Gomes - 25/03/2009

    Muito bom o artigo, nos temos uma empresa que faz assessoria de abate em frigorificos e os rendimentos sâo bem parecidos com a sua tabela.

    Obrigado.

  • Diogo Serpa - 26/11/2012

    Prezados Senhores, alguem poderia sugerir algums frigorificos em Minas Gerais

  • Carlos Roberto Câmara - 03/06/2013

    Muito antigamente, na época de meus avós, lembro-me que quando ele ia vender seus bois fazia o seguinte calculo:

    Para um animal de 800 kg:
    1º) Dividia o peso por dois (800/2 = 400);
    2º) Dividia o resultado por 15 (400/15 = 26,6 @)
    3º) Subitraia 15 kg da cabeça e mais 01 Kg por arroba, viceras, ossos, etc (400 – 15 – 26 = 359 Kg);
    4º) Por ultimo dividia o resultado por 15 (359 / 15 = 23,9)

    Portanto um boi de 800 kg representaria 23,9 @ para venda.

    Não sei se a conta era esta mesmo e caso alguem trenha conhecimento desta formula, saiba algo a respeito gostaria de saber.

    Forte abraços,

    Carlos Câmara

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