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Zoneamento da cana e credibilidade

Alguns eventos ocorridos recentemente, embora não necessariamente relacionados entre si, conduzem-me à mesma conclusão sobre as implicações de algumas ações postas em marcha pelo governo brasileiro. Vou descrever esses eventos antes de discutir as questões que, a meu ver, precisam ser aprimoradas e mais bem trabalhadas pelo governo federal, sob pena pôr em descrédito políticas que são de vital importância para o País. O tema a que me refiro é o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar.

Regras fortes, mas sua implementação…

Em tempos de crise mundial e discussões sobre déficit fiscal do governo federal, deixamos de lado questões relacionadas à eficiência do Estado brasileiro. Minha impressão é que a complexidade desse tema é grande o suficiente para inibir reformas que, passado o sofrimento de negociá-las entre Poderes do Estado, burocratas do governo, setor privado e consumidores, os benefícios a partir de sua implementação seriam inegáveis.

Desperdício de recursos intelectuais

Na leitura diária do Estadão, chamou-me a atenção o editorial de 15 de abril (A3) que defende a tese da politização do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O argumento defendido é baseado na análise dos recém-publicados documentos Comunicado da Presidência números 19 e 20, que discutem o emprego público no Brasil em comparação com outros países e a estrutura do nosso setor bancário.

O mundo está mesmo mais fechado?

À medida que avançamos mar adentro na outrora crise financeira e atual crise econômica mundial, mais somos surpreendidos pela criatividade dos governos, que não apenas opinam sobre políticas adotadas por outros países, como também buscam, sobretudo, soluções que vão no mínimo no sentido contrário ao da resolução da situação. São dignos de menção, no Brasil e fora dele, as ações protecionistas tomadas pela Argentina e os novos movimentos de estatização na Venezuela, que levarão para ainda mais longe qualquer disponibilidade de o já escasso crédito internacional chegar perto de ambos os mercados.

Relação entre utopia e plano de realidade

O debate sobre transgênicos é um caso típico da relação entre o universo utópico e o plano da realidade. A questão regulatória dentro do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que visa criar regras para o movimento entre países de organismos vivos modificados (OVMs), como sementes, grãos, enzimas, bactérias e outros microorganismos, é um exemplo interessante de como os países, organizações não-governamentais, entidades do setor privado e organizações da sociedade civil se movimentam em torno de um assunto tão polêmico.

Exportações em queda

Muito tem sido discutido sobre as limitações que a crise financeira internacional impôs sobre a disponibilidade de crédito. Um dos tipos de crédito diretamente atingidos por ela é o dos financiamentos às exportações que dependem de recursos captados no exterior. Uma menor disponibilidade de crédito às exportações contribui para a redução dos montantes exportados. Do lado do mercado físico, o que se observa é que as exportações vêm caindo nos últimos meses seguindo trajetória muito semelhante à da redução no crédito. Observando esse comportamento, a pergunta que fica é: é a menor disponibilidade de crédito para exportações que está levando a uma redução nos volumes exportados ou é a menor demanda internacional que leva a uma queda no volume exportado e, consequentemente, a uma menor demanda por crédito?

Perspectivas do comércio agrícola em 2009

Neste artigo fazemos uma primeira avaliação dos impactos de uma recessão nas economias avançadas e um menor crescimento dos emergentes no comércio mundial de produtos agroindustriais. Cruzando crescimento da economia mundial com comportamento do comércio de produtos agroindustriais, concluímos que a demanda por importações de produtos agrícolas não passará incólume ao menor crescimento econômico em 2009. Dois efeitos sobre o comércio agrícola são esperados: crescimento menor ou até redução na demanda, e redução nos preços, com maior intensidade naqueles produtos que ainda não tiveram seus preços ajustados já em 2008.

Os EUA de Obama e a agenda agrícola

Diversos países do mundo estão se perguntando que mudanças a eleição norte-americana trará nas suas relações com os Estados Unidos. No caso específico do Brasil, pela simples razão de que os EUA são nossos maiores competidores em agricultura, existe um especial interesse na futura agenda agrícola que o novo presidente e o novo Congresso poderão pôr em marcha.

Agricultura e crise mundial

A motivação deste artigo é colocar mais alguns elementos nas discussões sobre os impactos da crise financeira mundial no desempenho do setor agrícola brasileiro. As preocupações estão centradas em dois pontos: a capacidade financeira dos produtores para custear o plantio da safra 2008-2009 (plantada no segundo semestre de 2008 e colhida no primeiro semestre de 2009) diante de um cenário de menor oferta de crédito; e, uma vez colhida a safra, o resultado financeiro da produção diante de custos mais elevados e, pelo menos até hoje, preços em queda no mercado internacional.

Uso da terra e produção agropecuária

Dos diversos temas ligados ao meio ambiente que vêm ganhando relevância na sociedade brasileira, o que mais atinge a produção agropecuária e silvícola é a questão do uso da terra. Mesmo no Brasil, país privilegiado em disponibilidade de terras para produção e conservação, não se pode negar que a terra é um recurso escasso. Essa parece ser a razão imediata que justifica por que a mudança do uso da terra, provocada pela expansão da produção agrícola e de florestas plantadas, passou a ser critério de avaliação de sustentabilidade de ambos os setores. A boa notícia é que há tempos o tema deixou de ser visto como tabu pelas diferentes cadeias produtivas.