Dieta paleolítica: entenda qual seu fundamento e porque a carne a pasto é essencial

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Há mais de 15 mil anos, nossos ancestrais viviam em cavernas, não tinham cozinhas nem supermercados e obtinham sua comida principalmente da caça e coleta, ou seja, a alimentação era muito diferente da que temos hoje, com massas, produtos industrializados e uma infinidade de opções.

Pensando nisso e considerando que a dieta nesse período era muito mais saudável do que a que temos hoje, surgiu a ideia de que a melhor dieta para o homem é aquela praticada pelos nossos ancestrais pré-históricos. Ou seja: coma apenas aquilo que você poderia caçar, matar, colher ou tirar da terra, como um homem das cavernas.

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A primeira tentativa de restabelecer os hábitos neandertais surgiu no artigo publicado na revista americana New England Journal of Medicine, em 1985. Nele, os médicos Boyd Eaton e Melvin Konner defendiam a nutrição paleolítica. Naquela versão, ela consistia em comer somente alimentos disponíveis antes do surgimento da agricultura (cerca de 10 mil anos a.C.). Proposta bem mais radical que a adotada hoje pelos atuais seguidores. O artigo não teve grande repercussão fora do ambiente acadêmico. A popularização da dieta se deu mesmo há cerca de cinco anos nos Estados Unidos. Um dos mentores da dieta paleolítica é o médico e professor da Universidade Estadual do Colorado (EUA) Loren Cordain.

Outro grande influenciador desse tipo de abordagem é o biólogo e ex-atleta norte-americano Mark Sisson, que passou a defender um retorno a esse estilo de vida da Idade da Pedra. Seu argumento é de que “nossos genes “pensam” que nós ainda estamos caçando e coletando, pois eles pouco mudaram nos últimos 10.000 anos. Nossos genes esperam por certas coisas, certos alimentos, certos níveis de atividade, certas quantidades de sono. Eles funcionam melhor quando expostos a condições iguais ou similares àquelas sob as quais evoluíram”, informa o site oficial dele.

No Brasil,  o médico urologista, José Carlos Souto, tem um blog muito completo sobre o tema: http://www.lowcarb-paleo.com.br, que associa a dieta paleolítica com a “low carb” (com poucos carboidratos).

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Dieta paleolítica

A máxima da dieta paleolítica é comer alimentos naturais de fonte animal e vegetal. O cardápio paleolítico inclui carne de qualquer tipo, legumes, verduras, tubérculos (como inhame e batata-doce, de preferência), frutas e nozes – estas com moderação. Estão excluídos quaisquer vegetais que cresçam dentro de vagens (feijão, soja, ervilha, amendoim), cereais (como milho, aveia e trigo), carboidratos de produtos processados e açúcar.

Deve-se evitar cozinhar a temperaturas muito altas, com panelas diretamente no fogo. O recomendado são alimentos assados em fornos a, no máximo, 180 graus centígrados.

Há variações entre os páleos. Alguns permitem leite e derivados, ou bebidas alcoólicas, com moderação.

A ideia estaria em apostar em alimentos de procedência mais natural possível. Dar preferência a vegetais orgânicos, à carne de animais criados a pasto, a ovos de galinhas não confinadas e que não comam ração. E rejeitar tudo que for processado e industrializado.

paleoFonte: Veja Rio.

A páleo difere de outras dietas, como a preconizada nos anos 1960 pelo cardiologista americano Robert Atkins e suas derivadas, por algumas características. A principal delas é eliminar produtos industrializados, açúcar e alimentos com glúten (como trigo). Outra diferença é que o número de calorias não conta. A gordura animal é  bem-vinda.

Eles dizem, sobretudo, que a gordura foi injustamente crucificada. No início da década de 1980, pesquisadores americanos compararam por nove anos 12 mil homens com tendência à hipertensão. Eles foram divididos em dois grupos. Um comia o mínimo de gordura. Para o outro a gordura era liberada. Nove anos depois, os dois grupos apresentavam níveis similares de pressão.

Um dos maiores estudos feitos sobre dieta até hoje, o americano Women health initiative (WHI), de 1990, acompanhou 50 mil mulheres ao longo de nove anos. Metade delas seguiu uma dieta de baixo teor de gordura. Não houve melhora nos índices de colesterol em relação ao grupo que seguiu uma dieta normal.

Desde 2007, foram feitos quatro levantamentos estritamente sobre a dieta páleo em comparação a outras. Neles, os grupos que a seguiram obtiveram resultados melhores.  Uma delas, feita em 2009 e publicada na revista científica britânica Nutrition & Metabolism, liderada pelo médico Goransson  Lindeberg, comparou os efeitos da páleo aos da dieta recomendada para pacientes com diabetes tipo 2 – que ocorre em adultos e tem origem em hábitos de vida. Um grupo encarou um cardápio com poucos alimentos de origem animal, muitas frutas, legumes, verduras, pães integrais, cereais e laticínios desnatados. Treze pacientes comeram essa dieta por três meses. Outros 13 seguiram a páleo. Os grupos inverteram as dietas por mais três meses. A receita primitiva resultou em maior perda de peso, diminuição do diâmetro da cintura e queda nas taxas de pressão sanguínea, colesterol e triglicérides.

Carne a pasto

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Sisson, em seu site na internet, fala que se dá ao luxo de só consumir carne e lácteos produzidos a pasto (que nos EUA é bem mais cara do que a carne mais comum produzida lá, à base de grãos), devido ao sua superioridade nutricional. Segundo ele, a real diferença entre a carne produzida  pasto e a carne produzida à base de grãos esta a gordura. São elas:

– A carne a pasto é mais rica em ômega-3 do que gordura convencional. A quantidade absoluta não é muito alta, mas se você consumir uma quantidade significativa de gordura animal – como as pessoas que seguem a dieta paleolítica fazem -, aumenta seu consumo de ômega-3.

– A gordura da carne produzida a pasto contém mais ácido linoléico conjugado (CLA), uma gordura trans natural formada no rúmen dos animais. O CLA tem propriedades anti-carcinogênicas e antiinflamatórias.

– A carne a pasto é mais rica em ácido esteárico, uma gordura saturada neutra em colesterol. Se os lipídios do seu sangue são sensíveis à gordura saturada, até mesmo pesquisadores convencionais admitem que o ácido esteárico (que se converte a ácido oleico in vivo) é neutro ou benéfico.

– A gordura da carne produzida a pasto é mais rica em vitamina E, vitamina A e glutationa.

– A gordura da carne produzida a pasto é mais rica em antioxidantes, tornando-a mais resistente a danos oxidativo durante o cozimento. Animais criados  pasto que têm permissão de comer gastarem fresca efetivamente produzirão carne cheia de antioxidantes com maior estabilidade oxidativa do que animais criados com ração concentrada.

Assista dois vídeos sobre essa dieta, um mais simples e curto, e o outro contendo uma entrevista com o doutor Souto, sobre a dieta paleolítica e a dieta com baixo consumo de carboidratos (low carb):

Veja abaixo um slideshare sobre essa dieta:

Fontes: Revista Época, Jornal Zero Hora, www.marksdailyapple.comwww.lowcarb-paleo.com.br, revista Veja, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.


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